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Um terço da Amazônia está sob pressão da devastação

14 dezembro 2020 - 23h06Por Silvio Rodrigues

Um terço de toda a Amazônia está sob pressão alta ou muito alta, e as áreas protegidas como unidades de conservação e as Terras Indígenas – são o principal escudo contra a devastação no bioma. Os dados são do Atlas Amazônia Sob Pressão, elaborado pela Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg) e lançado na terça-feira (08). O relatório documenta o avanço das atividades extrativistas, projetos de infraestrutura e queimadas nos nove países que dividem o território amazônico e traz um panorama das ameaças que avançam sobre a maior floresta tropical do mundo.

De acordo com o Atlas, 7% da Amazônia está sob pressão considerada “muito alta” e 26% “alta”. As áreas mais pressionadas são as localizadas nas regiões periféricas do bioma, em porções da Amazônia Ocidental, no Equador e norte da Venezuela, e no sul da Amazônia brasileira, região notoriamente conhecida como Arco do Desmatamento. O relatório aponta ainda que as ameaças aumentaram exponencialmente nos últimos 8 anos.

Os números do desmatamento, principal sintoma da destruição da floresta, mostram uma aceleração desde 2012. Só em 2018, 31.269 km² foram desmatados em toda a Amazônia, o maior desmatamento anual desde o pico do milênio, em 2003, quando alcançou o patamar de 49.240 km². Entre 2000 e 2018, a perda acumulada foi de 513.016 km² de floresta nativa, um território equivalente à Espanha e que corresponde a 8% de toda floresta que existia em 2000.

De acordo com o documento, a realidade pode variar em cada país amazônico, mas a tendência descrita para toda a Amazônia é fortemente determinada pela situação do Brasil, que concentra 61,8% do território amazônico. O país responde por 425.051 km² que foram desmatados entre 2000 e 2018, 82,8% do total. Ainda de acordo com a análise da Raisg, o setor da agropecuária é responsável por 84% do desmatamento na Amazônia.

Queimada no PARNA Campos Amazônicos. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Descrição: https://www.oeco.org.br/wp-content/uploads/2020/12/MiniOeco_Queimada-Parna-Campos-Amazonicos-Vinicius-Mendonca_Ibama.jpg

 

Outro ponto de destaque no relatório é a explosão do garimpo ilegal na região amazônica, com 4.472 locais identificados com ocorrência da atividade criminosa, 87% deles em fase ativa de exploração. Mais da metade desses pontos estão no Brasil (53,8%), mas o relatório destaca que a Venezuela, país que contém apenas 5,6% da Amazônia, responde por 32% das ocorrências de mineração ilegal. O país sul-americano também lidera a proporção de Terras Indígenas e áreas naturais protegidas afetadas por esta prática criminosa. Em toda a região amazônica, 664 Terras Indígenas e 129 áreas de proteção ambiental possuem ocorrências do garimpo ilegal.

Apesar de violadas em diversas localidades, as áreas protegidas ainda correspondem aos principais escudos contra o avanço da destruição. A maior parte do desmatamento (87,5%) entre 2000 e 2018, ocorreu fora de Terras Indígenas e áreas naturais protegidas, como unidades de conservação (os países amazônicos possuem nomeações distintas para a categoria).

Ainda de acordo com os dados do atlas, 13% da superfície da Amazônia queimou, pelo menos uma vez, desde 2001, um total de 1,1 milhão de km² afetados pelo fogo. Em média, a cada ano 169.000 km² do bioma são queimados, sendo 26 mil dentro de áreas protegidas.

 

 

Estradas, hidrelétricas e petróleo

Na lista de ameaças que pressionam a Amazônia estão outros atores, incluídos na análise do Atlas, como o crescimento da rede viária, as usinas hidrelétricas e o setor petroleiro.

Belo Monte, a síntese dos impactos negativos que hidrelétricas podem ter na Amazônia.

Belo Monte, a síntese dos impactos negativos que hidrelétricas podem ter na Amazônia.

Foto: Agência Senado

As hidrelétricas na região amazônica, por exemplo, aumentaram 4% em 2020, com um total de 177 hidrelétricas. O aumento foi mais marcante entre as usinas hidrelétricas (UHEs), que aumentaram 47% em relação a 2012, passando de 51 para 75 até 2020.

“É preciso mudar o conceito de desenvolvimento que se aplica na Amazônia. Destacar a importância que este gigante tem para a sobrevivência não só dos povos indígenas que o habitam, mas também da sociedade maioritária, visto que é como vimos, um grande regulador do clima a nível global”, conclui o relatório do Raisg.

Fonte: O Eco