sábado, 08 de maio de 2021
Meio ambiente

Vida marinha se afasta do Equador, isso pode ser fatal

15 abril 2021 - 00h05Por Silvio Rodrigues

A notícia tem corrido o mundo desde a descoberta, e a maioria dos veículos que abordam o tema dizem que, a continuar, um evento de extinção em massa está no horizonte.  É fácil entender. As águas tropicais ao largo do equador têm a mais rica diversidade de vida marinha da Terra. É ali que ficam os vibrantes recifes de coral e grandes agregados de atuns, tartarugas-marinhas, raias-manta e tubarões-baleia. O número de espécies marinhas diminui naturalmente conforme você se dirige para os polos. Vida marinha se afasta do equador, isso pode ser fatal para a humanidade.

Um estudo recente descobriu que o aquecimento global transformou o oceano ao redor do equador. As águas se tornaram muito quentes para muitas espécies sobreviverem.

Vida marinha se afasta do Equador: padrão global está mudando rapidamente

O site sciencealert diz que ‘em outras palavras, o padrão global está mudando rapidamente. E à medida que as espécies fogem para águas mais frias em direção aos polos, é provável que isso tenha profundas implicações para os ecossistemas marinhos e para a subsistência humana. Quando a mesma coisa aconteceu há 252 milhões de anos, 90% de todas as espécies marinhas morreram’.

Este padrão global, onde o número de espécies começa mais baixo nos polos e é maior no equador, resulta num gradiente de riqueza de espécies em forma de sino. Os investigadores observaram os registros da distribuição de quase 50.000 espécies marinhas, recolhidos desde 1955 e encontraram uma queda crescente ao longo do tempo neste formato de sino. É a prova de que a vida marinha se afasta do equador.

E não é a primeira vez que pesquisadores falam em extinção em massa. Desde 2017 pelo menos, o assunto frequenta a mídia internacional. Foi nesse ano que publicamos o post Extinção em massa, começou a sexta, baseado em matéria do Washington Post, e no livro “A sexta extinção, uma história não natural”, da geóloga e paleontóloga Elizabeth Kolbert, que frequentemente escreve para a National Geographic, e a revista New Yorker.

O sciencealert explica: ‘Embora o aquecimento no equador de 0,6 nos últimos 50 anos seja relativamente modesto em comparação com o aquecimento em latitudes mais altas, as espécies tropicais precisam se mover mais para permanecer em seu nicho térmico em comparação com as espécies em outros lugares’.

À medida que o aquecimento dos oceanos acelerou nas últimas décadas devido às alterações climáticas, o declive ao redor do equador aprofundou-se.

Sciencealert: “Para cada um dos 10 principais grupos de espécies que estudamos (incluindo peixes pelágicos, peixes de recife e moluscos) que vivem na água ou no fundo do mar, sua riqueza atingiu um platô ou diminuiu ligeiramente nas latitudes com temperaturas médias anuais da superfície do mar acima de 20”.

Não devíamos estranhar que a biodiversidade global tenha respondido tão rapidamente ao aquecimento global. Isto já aconteceu antes e com consequências dramáticas.

Há cerca de 252 milhões de anos, 90% de todas as espécies marinhas foram mortas.

No final do período geológico do Pérmico, há cerca de 252 milhões de anos, as temperaturas globais aumentaram 10 em 30.000-60.000 anos como resultado das emissões de gases com efeito de estufa das erupções vulcânicas na Sibéria. Nesse período, 90% de todas as espécies marinhas foram mortas.

Segundo o Sciencealert, ‘Os autores do estudo sugeriram que seus resultados podem prenunciar os efeitos de nosso aquecimento global atual, avisando de forma ameaçadora que pode haver extinções em massa no futuro próximo, conforme as espécies se movem para áreas subtropicais, onde podem lutar para competir e se adaptar’.

A perda de espécies em ecossistemas tropicais significa que a resiliência ecológica às mudanças ambientais é reduzida, comprometendo potencialmente a persistência do ecossistema.

As espécies invasivas e suas terríveis consequências

Recentemente, mostramos quanto custa para uma nação rica como os Estados Unidos se livrar das espécies invasivas.  O site do governo do Maine diz que “as espécies invasivas prejudicam o meio ambiente, a saúde humana e a economia de nossa nação”.

Segundo o governo do Maine, “o custo direto e indireto aos Estados Unidos é de mais de US$ 100 bilhões por ano”.

Com a mudança da vida marinha para região subtropicais, acontecerá nestas regiões a introdução destas espécies que provocarão novas interações predador-presa e novas relações competitivas.

De acordo com o site sciencealert, por exemplo, peixes tropicais que se mudam para o porto de Sydney competem com espécies locais por alimento e habitat. “Isso pode resultar no colapso do ecossistema, como foi visto na fronteira entre os períodos Permiano e Triássico, no qual as espécies se extinguem e os serviços do ecossistema (como suprimentos de alimentos) são permanentemente alterados”. Destaca o site.

Problemas para nações insulares

O estudo antecipa alguns dos problemas que elas devem sofrer. ‘Por exemplo, muitas nações insulares tropicais dependem da receita das frotas de pesca do atum por meio da venda de licenças em suas águas territoriais. As espécies de atum altamente móveis tendem a se mover rapidamente em direção às regiões subtropicais, potencialmente além das águas soberanas de nações insulares’.

E mais: “Da mesma forma, muitas espécies de recifes importantes para os pescadores artesanais e megafauna altamente móvel, como tubarões-baleia, raias-manta e tartarugas-marinhas que apoiam o turismo, também tendem a se mover em direção aos subtropicais”.

E conclui: “A movimentação de peixes comerciais e artesanais e da megafauna marinha pode comprometer a capacidade das nações tropicais de cumprir as Metas de Desenvolvimento Sustentável relativas à fome zero e à vida marinha”.

O que podemos fazer

Não há outro caminho que não passe pela luta para minimizar as emissões de gases de efeito estufa. Felizmente, desde a eleição de Joe Biden, e do advento da pandemia que é uma zoonose, as nações ricas perceberam que não podem continuar com seus hábitos insustentáveis.

A Agenda Verde avança, e a liderança de Biden no combate ao aquecimento já está na mesa. O presidente norte-americano convocou 40 chefes de estado para uma reunião virtual em 22 e 23 de abril, para preparar a reunião de clima da ONU que acontecerá em novembro, em Glasgow, Escócia.

Outra oportunidade é acelerar a proteção dos hotspots dos oceanos. Um grupo de 41 nações está pressionando para definir uma nova meta de proteger 30% do oceano até 2030.

Estas medidas, aliadas à proibição do arrasto de fundo, e à moratória para a mineração submarina podem ajudar a mitigar os problemas.

Em breve saberemos. Se a liderança de Biden for realmente para valer, estes assuntos serão discutidos já na reunião de 22 de abril. É esperar para ver.

Enquanto isso vamos nos lembrar que nunca na história do planeta uma espécie foi tão hegemônica como o ser humano. Somos quase oito bilhões de inquilinos na Terra. Segundo a ONU, a população mundial dobrou nos últimos 40 anos, e deve chegar aos 11 bilhões em 2100.