sábado, 08 de maio de 2021
Saúde

Prefeito silencia diante do abuso dos fura-fila e responsabiliza imprensa pelos próprios erros

12 fevereiro 2021 - 19h24Por Silvio Rodrigues

O escândalo da impunidade e abuso de poder econômico e de clara influência na Prefeitura de Manaus por parte das irmãs fura-fila da vacina e o silencio ensurdecedor do Prefeito David Almeida, têm suscitado manifestações de indignação por parte de cidadãos do Amazonas, principalmente de pessoas que trabalham em áreas de risco ou têm familiares nessas funções e locais, como hospitais, Unidades básicas de Saúde, serviço de limpeza de conservação, SAMU, segurança publica e privada, funerárias, cemitérios e outros; sobre a inação do Prefeito, sua conivência ao defender as pessoas infratoras e tentear transferir a culpa de sua inércia à imprensa e à sociedade.

É muito fácil culpar outros ou transferir culpa de suas faltas, mas agir com retidão e firmeza, com independência e postura moral e isso não é no momento o que mostra o Prefeito que claramente se encontra cercado de hienas e abutres. Ao que parece, o Prefeito deve a eles e estes o tornam servil, a cada dia em menos de dois meses destroem sua imagem, sua história e sua bagagem politica. Um secretariado em sua maioria inepto e quem paga por isso é o cidadão que vive em Manaus.

A culpa é de quem?

O Prefeito afirmou que denúncias de “fura-fila” para tomar vacina contra Covid são fake News. Vacinação contra Covid-19 foi suspensa em Manaus, no dia 21 de janeiro e retomada no sábado (23). Órgãos de controle investigam desvio de doses. As denúncias são alvo de investigações do Ministério Público do Amazonas e do Tribunal de Contas.

O Prefeito disse que ia proibir publicação de imagens de pessoas recebendo vacina.

Denúncias foram feitas depois que parentes de empresários locais postaram fotos sendo vacinados e foram acusados de "furar fila". A prefeitura da capital amazonense diz que não há irregularidades. “A gente teve que parar a vacinação por causa de fake news. Ah, porque uma pessoa de blog postou lá e nem era de vacina de Covid. Ah, fizeram uma brincadeira em casa o avô com a neta. O que é isso?! (...) Quem propaga fake news é criminoso e quem fica querendo gerar o caos também acaba sendo”. Ironizou o prefeito.

O prefeito admitiu que os servidores de maternidades e coveiros de cemitérios não foram inclusos na primeira etapa da vacinação

O Tribunal de Contas exigiu que o governo estadual e Prefeitura de Manaus encaminhem uma lista nominal das pessoas já imunizadas contra a Covid-19 e os critérios utilizados para vacinação. Outros órgãos de controle também recomendaram a elaboração de listas nominais com a identificação de todos os que deveriam receber a imunização.

A culpa é da imprensa

Em entrevista coletiva na quarta-feira (10), exatamente no dia em que as irmãs fura-fila cometeram o crime de desobediência à  ordem judicial e que de acordo com a decisão da Juíza, acarretaria prisão em flagrante do infrator (o que não aconteceu), o  Prefeito David Almeida, do alto de seu trono e investido de poderes que lhes garantem dize o que é certo e o que é errado no trabalho da imprensa, lançou palavras ofensivas e responsabilizou  veículos de comunicação e a imprensa em geral por suas próprias faltas

Num momento em que foi questionado por Jornalista, o Prefeito tentou dar lição de moral e ensinar a imprensa a trabalhar. “Ontem eu assisti três matérias em três TVs diferentes, a nível nacional e internacional, em que cidades que têm mais de 800 pessoas que furaram a fila, mais de 800 e cidades com mais de 2.000 pessoas. Só que, as pessoas dessa cidade, a imprensa dessa cidade, eles “tavam” fazendo a propaganda de três pessoas que eram voluntárias, elevando a autoestima da sua cidade, do seu Estado, enquanto aqui, só se dá crédito às coisas ruins... por favor... as coisas ruins acontecem para serem corrigidas, já foram corrigidas, estão sendo corridas. Vamos falar das coisas boas. Principalmente quando a gente falar pra fora da nossa cidade, pra fora do Brasil”. Orientou Almeida.

Jornalismo é publicar notícias verdadeiras, o resto é publicidade

O Prefeito perde tempo tentando ensinar “missa ao Padre ou jornalismo para Jornalista”.

O Prefeito ou qualquer outro político que tente orientar o trabalho imprensa e dos jornalistas, perde seu tempo, ainda que este seja também Jornalista, como é o caso do Governador Wilson Lima ou o Prefeito que não faz o que deve em relação ao trabalho nesse momento de calamidade pública e ainda põe panos quentes sobre os casos de corrupção e reincidência nos mesmos casos, como se o mesmo aprovasse os ocorridos, uma vez que como autoridade, pode e deve tomar medias cabíveis e necessárias para corrigir as faltas.

O Prefeito perde muito tempo tentando ensinar o que não sabe. Quem age contra a cidade é quem se locupleta do bem público, de quem pratica a corrupção e repete na cara de todos. Prejudica a cidade que se cerca de pessoas ímprobas, é que não tem postura de gestor público, que governa para os amigos e parentes. Prejudica a imagem da cidade que recicla lixo politico, quem emprega parentes em cargos públicos em troca de empregar os amigos e os amigos dos amigos. São atitudes desse tipo e tantas outras que conspurcam a nossa cidade.

Senhor Prefeito, a imprensa séria e os Jornalistas bem formados não precisam de releases para fazer JORNALISMO. Não precisam se curvar aos interesses espúrios e nem compactuar com a corrupção com as que vêm sendo praticada em sua gestão em prejuízo ao interesse público. Principalmente no tocante aos escândalos da vacina em que o senhor ao invés de tomar atitudes sérias e honrar seu nome como homem de bem e gestor público, tenta justificar erros graves de seus amigos que implicam diretamente em prejuízo às pessoas que de fato e de direito necessitam do bem que ora é usurpado. Erros não justificam erros senhor Prefeito. Se o senhor quer ensinar o que é Jornalismo, forme-se, informe-se, aperfeiçoe-se, especialize-se e aí sim, diga o que pode e deve sere feito pela imprensa e pelos Jornalistas.

Desordem e atraso

A Juíza Federal Jaiza Fraxe, decidiu no dia 23 de janeiro, em caráter liminar em ação civil pública, que quem recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19 de forma, furando a fila de prioridades, não terá direito a tomar a segunda dose.

Na decisão, a magistrada escreveu que “em razão da falta de explicação para os casos de pessoas que tomaram indevidamente a vacina, ficam todos proibidos de tomar a segunda dose, podendo ficar sujeitos à prisão em flagrante delito em caso de insistirem no ilícito”.

Reincidente e desobediência

A juíza Jaiza Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas, afirmou que não houve autorização para que fura-filas tomassem a segunda dose da vacina contra Covid-19 e que quem repetiu o erro “sofrerá as penas da ação de improbidade”.

A manifestação de Fraxe, publicada no Twitter na noite desta quarta-feira, 10, veio após notícia de que as fura-flia Gabrielle e Isabelle Kirk Maddy Lins tomaram a segunda dose em total afronta à ordem judicial exarada pela Juíza, desprezan do qualquer regra ou obrigação legal. A informação é que a Justiça Federal não autorizou a nenhum fura fila permanecer no ilícito, descumprindo o plano nacional de imunização do MS (Ministério da Saúde).

Pessoas estão morrendo por causa desse tipo de comportamento. “Quem repetiu o erro, após o devido processo legal e mediante as provas devidas, sofrerá as penas da ação de improbidade, em razão do dano ao erário, do privilégio ilícito e da infração do princípio da moralidade”. Escreveu Fraxe.

Em  resposta aos usuários do Twitter que cobravam explicação sobre a vacinação das irmãs Lins, Fraxe afirmou que as penalidades mencionadas por ela “servem para qualquer réu” e incentivou as manifestações. “As manifestações populares são importantíssimas para marcar o duro período de luto pelo que passa a população amazonense, servindo como termômetro da crítica social”, afirmou a magistrada.

A magistrada cita como penalidades que poderão ser aplicadas aos fura-filas a perda do cargo público que estiver ocupando e suspensão dos direitos políticos. Fraxe também afirmou que pode haver “condenação para indenizar o grave dano coletivo”. “Está na lei e será cumprida para todos, pois não trabalhamos com privilégios”, disse a juíza.

Diante dos fatos, o que intriga é o fato de as irmã Lins, citadas na matéria, continuarem impunes após afronta à ordem judicial. O cidadão comum se pergunta e nos pede que perguntemos: ONDE ESTÁ O PRINCIPIO DA ISONOMIA CONSTANTE DO CAPUT DO ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988? E mais: A devida e esperada aplicação da Lei sobre as pessoas que afrontaram a ordem judicial, prevista no Artigo 330 do Código Penal Brasileiro.

A pena prevista é de 15 dias até 6 meses de detenção e multa. O objetivo da norma é garantir o cumprimento das ordens emanadas do funcionário público (Juiz) no cumprimento de suas funções.

Para a configuração do crime, é indispensável que a ordem esteja de acordo com a legalidade, o descumprimento de ordens ilegais não gera crime. Nesse caso, não há o que contestar na ordem exarada pela meritíssima Juíza e o descumprimento por parte das pessoas infratoras citadas.

A mais frequente e razoável pergunta que chega de nossos leitores é: E SE FOSSE EU, CIDADÃO COMUM E SEM DINHERO. SERIA PUNIDO COM PRISÃO EM FLAGRANTE CONFORME CONSTA DA DECISÃO JUDICIAL? Com a palavra a Justiça.

Irregularidades na vacinação

A campanha de vacinação contra a Covid-19 em Manaus é marcada por irregularidades. Veja cronologia:

19 de janeiro - As jovens de 24 anos, que são filhas de um rico empresário da região, foram vacinadas no primeiro dia de imunização na cidade, na terça-feira (19/01).

21 de janeiro - a campanha foi suspensa na capital em meio à investigação do Ministério Público sobre irregularidade na aplicação das doses. Foram feitas denúncias de que médicas parentes de empresários locais estavam furando fila, após postarem fotos em redes sociais.

22 de janeiro - A Secretaria de Saúde do governo do Amazonas entregou lista de profissionais da saúde que seriam vacinados contra Covid em Manaus

23 de janeiro - a vacinação é retomada, com a imunização dos profissionais da saúde. No mesmo dia, à noite, Justiça Federal determinou que a prefeitura de Manaus informasse, todos os dias, a relação das pessoas vacinadas contra a Covid na cidade sob pena de multa.

25 de janeiro - o Ministério Público Estadual do Amazonas pediu a prisão do prefeito de Manaus, David Almeida, e da secretária municipal de Saúde, Shadia Fraxe, na ação que denuncia irregularidades na aplicação da vacina e no favorecimento de pessoas que teriam furado a fila do grupo prioritário da vacinação contra a Covid-19. De acordo com o MPE, houve fraude na fila de prioridades durante a campanha de vacinação e contratação irregular de dez médicos.

28 de janeiro - o prefeito David Almeida negou irregularidades e chamou de ‘heróis’ os médicos que tiveram contratação questionada pelo Ministério Público.

29 de janeiro - a secretária da Saúde, Shadia Fraxe, disse que faltavam “recursos humanos”.

10 de fevereiro - Por meio do sistema disponibilizado pela prefeitura, foi confirmado que já receberam a 2ª dose três “médicos” investigados: David Louis Dallas, filho de um suplente de deputado estadual, e as gêmeas Isabelle e Gabrielle Lins.

Apesar da investigação, as vacinas de profissionais da saúde e de idosos estão sendo aplicadas em pontos diferentes da capital com frequentes casos de dúvidas, desídias, peculato, prevaricação, apropriação indébita e CORRUPÇÃO.