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FIQUE EM CASA, MAS SÓ DEPOIS DA ELEIÇÃO

"CORONGA VÍRUS" EM PAUSA

20 novembro 2020 - 20h07Por Reinaldo Valverde Pereira

     Estamos vivendo o tempo com o maior volume de hipocrisia da história da humanidade, nos dias atuais a humanidade em sua maioria perdeu seus princípios, não é possível confiar mais em ninguém no mundo atual, foi-se o tempo em que se fazia negócios apenas com o “fio do bigode”, a palavra empenhada no mundo contemporâneo perdeu completamente o seu sentido e valor.

     Desde o início da pandemia lá pelos idos de fevereiro e março dependendo da localidade os “ispecialistas” pregaram amplamente a máxima “fique em casa” como a solução para conter o “coronga vírus”, essa péssima ideia levou a população a brasileira ao desemprego, à pobreza e consequentemente à fome. Houve uma amenização desse empobrecimento com algumas medidas do governo federal como a Lei 13.982, de 2020 que criou o auxílio emergencial beneficiando milhões de brasileiros mais vulneráveis e a MP 936 que autorizou a suspensão temporária dos contratos de trabalho sendo que o governo assumiu parte dos salários dos empregados, ajudando outros milhões de cidadãos evitando que os mesmos ficassem desempregos e por fim salvando milhares de empresas da falência por assim dizer.

     De setembro a novembro devido as eleições municipais todos os protocolos dos “ispecialistas” baseados na “siênsia” ficaram de escanteio, porque as ruas ficaram cheias bastante aglomeradas, diga-se de passagem, os mesmos que há meses atrás estavam compartilhando a Hashtag “fique em casa” passaram a dizer “eleições 2020 aqui vamos nós”, e passaram a cantar a antiga marchinha de carnaval “ô abre alas para a propaganda política passar”.

    Desde o último dia 27 de setembro os candidatos a prefeitos, vice-prefeitos e vereadores tiveram autorização para realizar propagandas eleitorais, ou seja, fazer campanha. Mas, além das regras da legislação eleitoral que devem ser seguidas, os candidatos devem obedecer às normas sanitárias de seus estados e municípios no que diz respeito ao combate ao “coronga vírus”. Em todos os Estados e Municípios as Secretarias de Saúde locais publicaram normativas para as campanhas políticas locais de acordo com as suas características.

    A maioria dos Estados e Municípios adotaram o básico. Constam dos protocolos regras para as reuniões políticas; campanhas eleitorais incluindo passeatas, carreatas e comícios; propaganda eleitoral; eventos de arrecadação facultativa de doações para candidatos; realização de pesquisa eleitoral; e transporte de passageiros para fins eleitorais.

    Segue algumas regras e/ou recomendações: Os comícios e passeatas só estão liberados na modalidade drive-in, a recomendação é que os eventos tenham no máximo duas horas de duração, os carros devem estar com distância mínima de dois metros, no máximo quatro pessoas no veículo, mesmo que os ocupantes sejam da mesma família, o público deve permanecer no veículo e o uso de máscara é obrigatório.

     Nos atos de carreatas ou similares, a recomendação é que evite aglomeração de pessoas no início ou final. As pessoas devem permanecer nos seus veículos que devem ter na ocupação máxima de quatro pessoas, incluindo o motorista. Uso de máscara, distanciamento social e protocolos de segurança devem ser seguidos pelos candidatos, partidos e coligações. A recomendação é que sempre que possível, os candidatos substituam os eventos presenciais por online, a exemplo, de “livemício”. Os protocolos recomendam ainda que em caso de reuniões presenciais, deve-se obedecer a regra de ocupação, limitado sempre a 50% da capacidade máxima do espaço. O uso de máscara é obrigatório e os partidos ou candidatos devem disponibilizar álcool 70% ou lavatórios para higienização das mãos dos eleitores.

    O conjunto de regras e recomendações acima são genéricos e foram recortados dos diversos protocolos estaduais e municipais, porém é tecnicamente o básico e o que tem em comum em todos os decretos e portarias locais Brasil a fora. Lembrando que todas as exortações mencionadas são praticamente uma lenda, são em tese fictícias, as mesmas não passam de decretos vazios para enfeitar os diários oficias estaduais e municipais porque nada se efetivou de fato, a verdade é que as ruas ficaram cheias durante as campanhas e no pós-eleição nas comemorações, não foram raros os verdadeiros “carnavais fora de época” para comemorar as vitórias, Brasil a fora. As carreatas e comícios que deveriam ser “drive-in”, ou pelo menos é nominalmente, porque na prática a realidade é outra completamente diferente. Distanciamento, oxi! O que é isso? Permanecer no veículo, KKKKKK é brincadeira né? Máscara, huummm... você está falando sério? Não né?

     Só para lembrar boa parte das “regras” não são “regras de verdade”, são apenas recomendações, ou seja, nunca serão cumpridas. Quando é uma lei específica os políticos desobedecem na “cara dura” e não dá em nada, agora imagine quando é somente uma recomendação, só para frisar os decretos e portarias não descreve punições para os infratores.

     Na contramão disso os estabelecimentos comerciais que experimentaram desobedecer às regras sanitárias nos mesmo período receberam multas, fechamentos e outras sanções. É a hipocrisia em “estado bruto”. O sistema regulatório brasileiro virou uma grande loucura, parece um grande hospício a céu aberto. Como cantava os poetas da antiga banda Luzes Neon e seu axé music dos anos 80: “Abriram a porta do hospício e sai maluco, entra maluco...”

    Em outras palavras e sendo bem direto a verdade é a seguinte é que boa parte dos políticos estão passando uma mensagem subliminar ao povo, pena que infelizmente poucos tem percebido. A mensagem é a seguinte: “Você é um ‘mané’, eu te tranquei em casa compulsoriamente por seis meses em prisão domiciliar, mas você sabe né? ‘Foi para te proteger’, ‘foi para o seu próprio bem’ agora seu ‘bestão’ ignore os riscos e saia correndo atrás dos meus eventos políticos porque eu preciso de votos e no pós-eleição, venha comemorar conosco”.

     Vamos agora exercitar um pouco o nosso raciocínio, será que se um “cidadão comum” tentar fazer um evento da magnitude que estão acontecendo nas campanhas, seja uma festa particular, de uma empresa, de uma igreja e/ou similares, será que vai conseguir fazer em paz ou será censurado pelas autoridades locais? A pergunta é retórica e a resposta você já sabe. Os “ispecialistas” vão acordar de seu sono profundo, já que estão hibernados, pois não viram as aglomerações das campanhas políticas e nas comemorações posteriores e vão logo gritar palavras de ordem como: “Vocês querem matar todo mundo seus irresponsáveis, inconsequentes, desobedientes, loucos, genocidas, etc. etc. etc. Para resumir vão te perguntar como vocês ousam desobedecer ao “nosso grande deus OMS”? o “nosso deus” vai castigá-los soltando o “coronga vírus” e este vai entrar em cena e matar todo mundo, não restará pedra sobre pedra. Quando perguntado sobre os eventos políticos os mesmos “ispecialistas” dirão que não existe riscos porque o “coronga vírus” é alérgico à eventos políticos e ele simplesmente não comparece a esse tipo de festa. (Contém ironia, infelizmente preciso dizer isso porque tem muita gente no Brasil com dificuldades de interpretação já que estava militando em vez de estudar).

     Vou fazer um esforço e abrir mão da ironia e falar sério agora. A pergunta é: “A pandemia acabou?” Se a resposta for positiva, maravilha então está na hora de abrir as escolas, uma eleição não pode ser mais importante do que a educação, vou continuar batendo nesta tecla, apesar de contrariar muitos e até deixar gente zangada e me xingando a vontade, até de jumento me chamaram esta semana. Se a resposta for não, então porque as eleições estão aconteceram e com desobediência flagrante das regras do “deus OMS”? Cuidado com o castigo do deus furioso! Desculpem prometi não ironizar, mas pequei novamente.

     Quando todos os argumentos acabarem é muito simples basta repetir o velho clichê: “faça o que digo, mas não faça o que eu faço”. Expressão típica de pessoas desonestas que já perderam a moral a muito tempo, gente cheia de palavras, tem discurso, mas sua vida está na contramão de suas sentenças proferidas, completamente perdido e sem credibilidade. É claro que ninguém fala isso, apenas faz suas festas particulares, comícios aglomerados, mas no dia seguinte coloca um vídeo nas redes sociais dizendo “fique em casa”, não verbalizou a frase, fez melhor ainda a praticou, como dizem chegou as vias de fato.

     Para concluir e fechar com chave de ouro vamos a regulamentação do TSE – Tribunal Superior Eleitoral, o mesmo autorizou a ampliação do horário de votação que foi esticado em uma hora com a justificativa de evitar aglomerações, legal nisso todos devem concordar, mas fica uma dúvida no ar, porque em vários locais do Brasil o comércio, shoppings, rodoviárias e áreas de lazer como: praias, cinemas, teatros, parques e outros estão até os dias atuais funcionando em horário reduzido para evitar aglomerações? Que loucura é essa? Dois pesos e duas medidas, ao que nos parece os “ispecialistas” definem as regras atuais com base na sua “siênsia” e com base em sua conveniência agradando o “gosto do freguês”, seguindo aquela máxima do atendimento, “o cliente tem sempre razão”.

 

Reinaldo Valverde Pereira, o professor Valverde detém os cursos de Licenciatura em História e Bacharel em Teologia, possui ainda formação profissionalizante em Comunicação Oral & Escrita e Jornalismo Digital e é autodidata em empreendedorismo. É estudante de pós-graduação em Educação Ambiental, Docência no Ensino Superior e Metodologias em Educação à Distância. É Entusiasta do Conservadorismo e do Liberalismo Econômico. Dispõe de uma vasta experiência em docência com passagens pelo ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos. Atuou como professor da Rede Privada de Salvador e atualmente é professor da Rede Estadual de Sergipe, além de escrever periódicos, sendo colunista de vários portais de notícias de todo o Brasil escrevendo sobre diversos temas.

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