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Centrão perseguiu Pazuello, mas não conseguiu o Ministério da Saúde

19 março 2021 - 22h38Por Silvio Rodrigues

A pressão pela saída do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, aumentou nos últimos dias na capital federal. Investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e na mira de parlamentares do Centrão que buscam emplacar um nome na pasta, o general teve sua continuidade no governo ameaçada.

Nesta semana, mais precisamente na segunda-feira (15), o Presidente Jair Bolsonaro confirmou a saída do General Eduardo Pazuello do cargo de Ministro da Saúde e a indicação do Médico Marcelo Queiroga para o posto. O cardiologista Marcelo Queiroga aceitou convite do presidente Jair Bolsonaro e é o novo ministro da Saúde. Anunciado nessa 2ª feira como novo ministro da Saúde, disse que lockdown é uma medida que só deve ser adotada para conter a pandemia do coronavírus em “situações extremas”.

As declarações foram feitas em sua 1ª entrevista depois de ser confirmado como chefe da Saúde do governo do presidente Jair Bolsonaro. Ele substitui o general Eduardo Pazuello, que ficou 10 meses no cargo. “Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados”, afirmou Queiroga à CNN Brasil.

Para o Cardiologista, é preciso “assegurar que a atividade econômica continue”. “A gente precisa gerar emprego e renda. Quanto mais eficientes forem as políticas sanitárias, mais rápido vai haver uma retomada da economia”.

O médico disse ainda quais serão as suas prioridades na gestão da pandemia no Brasil. Segundo ele, é preciso que o Ministério da Saúde demonstre liderança na condução da crise. “Vamos criar uma grande união nacional, com um propósito de vencer a pandemia”, declarou. “O presidente quer que questões operacionais sejam colocadas de maneira clara, de tal sorte que o conceito de que o Brasil sabe vacinar se repita, e a gente consiga vacinar a população, que é a maneira mais eficiente de prevenir a doença”, afirmou Queiroga.

Perfil

Queiroga assumirá uma das maiores pastas do governo e terá que enfrentar os desafios que a covid-19 impõe aos sistemas de saúde dos Estados e municípios, além de organizar o foco das políticas públicas do ministério e acelerar a vacinação contra a doença que está em recrudescimento no Brasil.

O médico é natural de Cabedelo, na Paraíba. Formou-se em 1988, na Universidade Federal do Estado. Fez residência em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista de 1991 a 1993. Assumiu a diretoria técnica do Cardiocenter, em 1997, e é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2020. Comandou a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista de janeiro de 2012 a janeiro de 2014.

Mesmo com casos específicos, a maioria dos posts lidos e comentados por Queiroga são de médicos ou publicações que citam artigos científicos, nos últimos meses, em sua maioria, com foco no novo coronavírus. O cardiologista também se mostrou entusiasta da vacinação.

Como trabalha na linha de frente, o Médico foi imunizado contra a covid-19 em 20 de janeiro. Publicou vídeo em seu perfil no Instagram: “Hoje tomei a 1ª dose da vacina contra a covid-19, mais segurança para quem trabalha na linha de frente. Além disso, a cobertura vacinal ampla vai nos ajudar a conter a pandemia”.

4º Ministro

Queiroga será o 4º a ocupar o Ministério da Saúde. Já passaram por lá os também médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. Ambos deixaram a pasta depois de desentendimentos com o Presidente.

Com a saída de Teich, o General da ativa Eduardo Pazuello assumiu a pasta ainda interinamente em 15 de maio. Foi efetivado em 16 de setembro, ficando lá até esta 2ª feira (15).

Quem já comandou o ministério desde o início do governo

LUIZ HENRIQUE MANDETTA

Mandetta foi demitido por Bolsonaro em 16 de abril de 2020. À época um popular integrante do governo, o então ministro não resistiu a dias de discordâncias algumas delas públicas com o chefe.

A situação ficou insustentável após uma entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, na qual ele voltou a criticar o comportamento de Bolsonaro diante da pandemia. Irritado e disposto a marcar posição, Mandetta disse que a população "não sabe se escuta o Ministro ou o Presidente".

A entrevista fez o ministro perder o suporte do núcleo Militar. Responsáveis por convencer o Presidente a não demiti-lo na semana anterior, os Generais de terno enxergaram no episódio uma irrefreável quebra de hierarquia.

Bolsonaro queria ainda que Mandetta incentivasse o uso da cloroquina nos pacientes com covid-19, apesar da falta de comprovação científica sobre a eficácia do produto. O apoio a medidas de distanciamento social também serviu para aumentar a tensão entre chefe e subordinado.

NELSON TEICH

Substituto de Mandetta, o médico Nelson Teich ficou menos de um mês no comando do Ministério da Saúde. Ele pediu exoneração em 15 de maio do ano passado.

Teich vinha passando pelo chamado "processo de fritura" no governo. Uma pista de que a relação com o presidente não estava bem foi o momento de constrangimento, em entrevista coletiva, quando o ministro foi avisado pela imprensa sobre a decisão do Presidente em aumentar a lista de serviços essenciais, o chefe do Executivo não o consultou sobre a mudança.

Além disso, Teich não vinha atendendo as expectativas de Bolsonaro em conseguir acordo com Estados e municípios para o plano de flexibilização do distanciamento social, o Presidente defendia a política chamada de "isolamento vertical", em que apenas pessoas consideradas do grupo de risco deveriam ficar em confinamento. O Ministro não apoiava publicamente o desejo do Presidente.

EDUARDO PAZUELLO

O General do Exército Eduardo Pazuello assumiu o Ministério, de forma interina, logo após a saída de Teich. Cerca de quatro meses depois, foi oficializado no cargo.

A saída do militar foi anunciada por Bolsonaro em 15 de março. A pressão para a substituição de Pazuello vinha crescendo nos últimos dias. Pazuello é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal pela crise no sistema de saúde e vinha sendo cada vez mais contestado no Congresso. O lento avanço da campanha de vacinação contra a covid no país também foi alvo de críticas contra o ministro.

A quem interessa a saída de Pazuello

A ofensiva mais dura contra Pazuello começou na manhã de sábado passado, quando a cúpula do Congresso se reuniu na residência oficial do presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para discutir a proclamação da PEC do auxílio emergencial. Participaram da reunião o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira; os líderes do governo no Senado, senador Fernando Bezerra (MDB-PE); na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR); e no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO).

A conversa derivou para a crise sanitária e a situação politicamente insustentável de Pazuello no Congresso, apesar de todas as oportunidades que o ministro teve explicar a situação e oferecer alternativas convincentes de combate à pandemia aos deputados.

Responsável pela articulação política do governo, o ministro da secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, que havia se incorporado à reunião, levou ao conhecimento de Bolsonaro a opinião de seus aliados. Não é de agora que os líderes do chamado Centrão querem desmilitarizar o Ministério da Saúde, que hoje é comandado por uma equipe vista como despreparada para gerenciar o Sistema Único de Saúde (SUS).

Partidos, como o Progressistas, DEM, PL e MDB, representantes do chamado Centrão cobiçam emplacar um nome na pasta, mas Bolsonaro mais uma vez frustrou os planos dos falsos aliados ao convidar um Médico de renome e de sua confiança, não atendendo aos anseios dos partidos questionadores que agora juntamente com a imprensa de massa, tentam logo de cara, desqualificar o Médico Marcelo Queiroga .

O governo trabalha para conseguir o mais rápido possível ampliar a quantidade de vacinas disponíveis para prevenção da covid-19, ao passo que Pazuello tem sido obrigado a rever para baixo a previsão de vacinas disponíveis neste mês.

No sábado, o ministro manteve reunião com governadores do Nordeste, em sua maioria de oposição a Bolsonaro. Eles anunciaram a compra de 37 milhões de doses da vacina russa Sputnik V contra a covid-19 e fizeram acordo com o governo federal para que as doses passem a ser consideradas parte do Plano Nacional de Imunização.