sexta, 07 de maio de 2021
Saude e Estética

Padronização da beleza na atualidade

Motivo de felicidade ou ameaça para saúde?

04 janeiro 2020 - 00h06Por Eloina Del Pozo e Ismael M. Del Pozo

O que é beleza? O que achamos atraente até o ponto de chamar de belo? A beleza é imposta pela sociedade? Essas são algumas das perguntas que vem à cabeça quando pensamos no assunto.

Nos dias atuais fica cada vez mais complicado atingir os padrões de beleza ditados pela sociedade. Sim, existe uma pressão que faz as pessoas procurarem ser belos aos olhos dos outros. As redes sociais são um grande exemplo disso, fotos “devem ser perfeitas”. Mostrando uma paisagem linda, a roupa nova que foi comprada, o prato que estamos comendo e ainda marcar o restaurante, postar vídeo das festas e drinks sofisticados. Realmente complicado, ainda mais sabendo que essas imagens que viajam o mundo todo em segundos, na maioria das vezes são cheias de falsidades.

Mas esse não é um problema que começou neste século. Desde a Antiguidade, o culto ao belo faz parte da cultura de diferentes sociedades. Cada época e lugar estabelece critérios para definir o que é belo. A primeira tentativa de padronização da beleza humana de que se tem registro parte da Grécia Antiga (a palavra Estética é uma palavra com origem no termo grego aisthetiké, que significa “aquele que nota, que percebe”. Estética é conhecida como a filosofia da arte, estudo do que é belo nas manifestações artísticas e naturais).

Idade Média recebendo influências da cultura judaica e cristã, o conceito de belo estava conectado ao divino, o espiritual, às virtudes morais. Renascimento redescobre textos dos pensadores greco-romanos. Voltando a valorizar o corpo feminino, o modelo de beleza supunha mulheres mais volumosas, o que se manteria até o o século XVI, onde as mulheres apesar de usar vestidos volumosos, afinavam a cintura com o uso de espartilhos, e se permitiam decotes mostrando mais os ombros. Nos anos 20 o conceito de belo exalta o corpo feminino cilíndrico e proporcional: cintura, seios e quadris deveriam ter medidas parecidas. Para isso, as mulheres disfarçavam as curvas usando vestidos retos. Nos anos 50, considerados anos dourados da estética, as sobrancelhas ganharam um destaque diferente de outras épocas, popularizado por ícones da beleza, como Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Anita Ekberg, Elizabeth Taylor. No fim dos anos 80 e durante o início dos 90 surgiram as supermodelos, altas, magras, com curvas na medida certa e um visual saudável, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Naomi Campbell e Luiza Brunet são nomes que se destacam entre as supermodelos.

Na atualidade, os padrões de beleza são outros. Corpos malhados, viagens, estilos de vida “saudáveis” caros e muito difíceis de sustentar, preenchimentos labiais, Botox, harmonização facial. Todo postado nas redes sociais, com a intenção de que todos vejam e saibam. Levando grande parte da população a um estado de insegurança e gerando gatilhos para depressão. Muitas pessoas se sentem feias e infelizes ao se comparar com seus ídolos das redes sociais. Surge a necessidade de gastar mais para parecer com eles, de usar os mesmos produtos e roupas, frequentar os mesmos lugares. Isso leva a incidentes lamentáveis, pessoas se submetendo a procedimentos cirúrgicos inseguros que colocam suas vidas em risco, profundas crises existenciais, doenças psicológicas como anorexia entre outras.

Este é um chamado a reflexão. Pare e pense que a beleza é passageira e relativa. O que realmente nos define como bons seres humanos são nossos princípios e sentimentos. O melhor a fazer é procurar a beleza particular que existe em cada um de nós. Oque não significa que não deva se preocupar com sua aparência, só enfoque ela de uma forma diferente, tente se sentir bem consigo mesmo, se sentir confiante. Respeite seu corpo e seus limites. E sempre tente que sua busca pela beleza não prejudique sua saúde.