quinta, 06 de maio de 2021
Saúde

Juíza Federal suspende entrega de vacinas à Prefeitura de Manaus

27 janeiro 2021 - 01h25

Em atendimento a uma Ação Civil Pública dos Ministérios Públicos do Estado (MPE), Federal (MPF), do Trabalho (MPT) e Especial junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), e Defensorias Públicas da União (DPU) e do Estado (DPE), em desfavor da gestão do Município de Manaus, a Juíza Federal Jaiza maria Pinto Fraxe, determinou a suspensão da entrega de vacinas à Prefeitura de Manaus

A juíza decidiu que seja suspensa a entrega das doses da vacina AstraZeneca, vinda da Índia, para a Prefeitura de Manaus, até que se cumpram as determinações  de total transparência nas informações sobre quem foi vacinado e por que. A decisão vale até que a prefeitura forneça todas as informações sobre quem foi vacinado

A resolução foi enviada ao Governo do Amazonas, via Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), que recebeu, no último sábado (23), 132.500 doses da vacina.

Ordem judicial

Segundo a ordem da Justiça Federal, a distribuição das vacinas só poderá ser feita após o requerido, no caso a Prefeitura de Manaus, cumprir as determinações impostas, especialmente de total transparência no que se refere à programação e critérios para vacinação, devendo ainda ser divulgada diariamente a lista de vacinados, com a respectiva análise pelos órgãos autores e, em seguida, deliberação do juízo.

Por recomendação do Ministério da Saúde, as doses de AstraZeneca que foram suspensas irão atender 35% de trabalhadores de saúde; 100% de idosos acima de 75 anos e 37% de idosos entre 70 e 74 anos.

Os fura-fila não se conformam

Como se não bastassem os casos de fura-filas onde funcionários pessoas que não estão entre os preferenciais por conta de não estarem atuando nos grupos de atendimento ao público infectado,  onze acadêmicos de Medicina foram vacinados como Médicos no Hospital 28 de agosto.

Após a pesquisa em lista dos vacinados em Manaus, foram encontrados nomes de  alunos da UFAM e da UEA vacinados como   Médicos; “status” de quatro alunos no sistema da UEA foram alterados após questionamentos da reportagem

A lista dos profissionais de saúde vacinados no Hospital Pronto-Socorro 28 de agosto identificou onze pessoas como médicas, que, na verdade, não possuem registro no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM). Os pretensos profissionais ainda são estudantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Amazonas.

Fabiano Lopes Marques, Lorena Cristine Rodrigues de Oliveira, Lucas Carneiro dos Santos e Ana Paula Rodrigues Nascimento;  ingressaram no curso de Medicina da UEA no ano de 2015. Já Frank Santana Sampaio Júnior e as irmãs Karollyne Muniz Pessoa e Rayane Muniz Pessoa, (mais duas irmãs fura-fila) ingressarem na UEA em 2016. Até a data em que foram vacinados, nenhum deles havia concluído o curso.

Na segunda-feira, quando tivemos acesso à lista, constatamos junto ao o sistema de matrículas dos estudantes da UEA que e as matrículas desses alunos constavam como “ativas”. Ou seja, pelo registro oficial eles ainda estavam estudando.  Ao refazer a consulta ainda na noite de segunda-feira, as matrículas de Fabiano, Lorena, Lucas e Ana Paula foram alteradas para “concluídas”. As matrículas de Frank, Karollyne e Rayane permanecem ativas.

Os nomes de quatro dos alunos da UEA - Fabiano, Lorena, Lucas e Frank – constam na decisão judicial proferida pela juíza Jaiza Fraxe, na qual ela determina que aqueles que “furaram a fila” da vacinação não devem receber a segunda dose. Em um trecho da decisão, a Juiza faz referencia ao caso (descaso) dos alunos. “Uma irregularidade jamais pode justificar a outra. O povo que está na fila não pode morrer porque 4 alunos foram imunizados “sem querer”, diz a juíza, na decisão.

Somado a estes, os estudantes de Medicina da UFAM, João Pedro Salgado Pio Oliveira; Inayê Matias Bivar; Ranna Abadias Pessoa e Marianna Maisonnette de Attayde Silva, também foram vacinados no mesmo dia. João Pedro ingressou no curso em 2017 e as demais estudantes entraram no ano de 2016.

A culpa é de quem?

Questionada  sobre a razão por qual estes onze nomes estarem identificados como Médicos da rede de saúde, apesar de ainda que não possuíssem CRM, assim como o porquê deles receberem a vacinação antes de terem concluído o curso. A SES-AM informou que “a vacinação realizada no dia 20/01 foi de responsabilidade da Prefeitura de Manaus, assim como o registro e identificação das pessoas imunizadas nas unidades na referida data”.

A falta de consciência e de respeito pelo próximo que sofre e que de fato precisa de cuidados urgentes nos leva a crer que muitos que se dizem ou pretendem ser profissionais da saúde, especialmente os que querem ser Médicos e não procuram tomar conhecimento de uma disciplina fundamental para qualquer profissão: ÉTICA PROFISSIONAL, além do juramento de Hipócrates que prevê como um de seus principais preceitos o seguinte: “Se eu respeitar este juramento e não o violar, serei digno de gozar de reputação entre os homens em todos os tempos; se o transgredir ou violar que me aconteça o contrário”.

Assim seja.