quinta, 06 de maio de 2021
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Venezuela mantém trabalhadores da saúde em regime de escravidão sob ameaças de prisão

27 janeiro 2021 - 01h18Por Silvio Rodrigues

A crise da saúde que se abateu sobre o mundo todo, faz pior a situação das pessoas que vivem em países pobres, e pior ainda é a situação de quem vive ou sobrevive em países como a Venezuela, país vizinho ao Brasil.

A situação de humilhação e regime de escravidão vem sendo denunciada por profissionais do sistema de saúde de vários estados daquele país. Muitos dos quais afirmam que não tem sequer água nos hospitais, que trabalham sem equipamento de proteção individual e que máscara e luvas são artigos caros, que quem tem é porque compra com recursos próprios e a um valor que custa 25% do salario de um médico, por exemplo.

Alguns destes profissionais comentaram a fontes nossas na Venezuela sobre a terrível situação. Karina Suarez, Enfermeira no Estado de San Cristóbal relata que não há água no hospital em trabalha e quando chega o fim do expediente, tem que sair do serviço sem sequer lavar as mãos. Outro Enfermeiro que não quis se identificar, disse que vários trabalhadores da saúde quiseram desistir do trabalho, mas o governo os obrigou à força a permanecerem.

Rubén Duarte, também enfermeiro em San Cristóbal, comentou que tudo o que eles pedem ao governo é o mínimo, é o equipamento de proteção individual e em quantidade suficiente para o trabalho, mas que até isso é negado para quem trabalha numa situação de alto risco e com ataque de uma pandemia mortal que tem levado muitos à perda.

Ameaça de prisão para quem não cumprir ordens

A ordem imposta é que todos os convocados devem permanecer em seus postos sem questionar sequer a falta de alimentos. Muitos estão trabalhando com uma única refeição e alguns reclamam que até o uso do banheiro é restrito e controlado. Além das alas de enfermaria que se encontram em estado de deterioração e sem manutenção. UTI não parece sequer enfermaria comum e banheiros sem nem caixa de descarga ou água funcionando. O sistema de descarga é feito com baldes e o acesso é vigiado, comentou um dos entrevistados.

Mais de 60 mil mortes por covid

Desde março de 2020, a Venezuela registrou oficialmente, mais de 60 mil óbitos causados pela covid. Só em San Cristóbal foram 600 mortes, sendo que um terço destes eram trabalhadores da saúde.  

Outro Enfermeiro que não quis se identificar, falou a reportagem que ficou por um mês e meio cuidando de pacientes com covid sem usar luvas e mascaras, ainda pior é ter que conviver com a presença de carros da Policia para ou circulando no entorno dos hospitais para impor a ameaça e o terror. O que gastamos com transporte para vir trabalhar, é quase sempre mais do que ganhamos como profissionais a serviço do governo.

É proibido falar com a imprensa

Rúben Duarte. Enfermeiro acima citado, disse à nossa fonte que diante de tanta ameaça e humilhação, decidiu em um momento falar com a imprensa local sobre a situação por que passam os trabalhadores dos hospitais, principalmente neste momento de crise gerada e agravada pela pandemia. “Depois de tomar coragem e falar com o pessoal da imprensa não-governamental, sofri a repressão por parte de forças policiais que foram à minha cassa e me prenderam diante da minha família,  e o mais doloroso, diante de meus filhos menores. Passei um dia inteiro sendo inquirido e humilhado, ainda foi também ameaçado de males piores se dissesse que não foi bem tratado na delegacia.

O medo da morte e da prisão

A Farmacêutica Cristina Muñoz relata que vive com medo constante e que não há como sair dessa prisão sem muros. “Nós vivemos com medo o tempo todo, não temos a quem recorrer e nem para onde ir. Não temos salario, não temos direitos trabalhistas, não temos sequer o direito de usar o banheiro ou de merecer mais que refeição por dia no trabalho. Vivemos tempos que parecem com as histórias de tempos medievais. Aqui para muitos a morte é uma forma de se libertar. Infelizmente”. Lamentou Cristina.

 Rúben Duarte, novamente se pronunciou a reportagem. “Nós como profissionais da saúde temos os salários mais baixos da América. Um médico ganha o salario humilhante de no máximo U$ 5,00 (cinco dólares) ao mês. Alguns de trabalham até na agricultura familiar para garantir alguma renda extra ou o próprio alimento, qual é o meu caso. É indignante viver como escravo em seu próprio país. Para mim que sou um profissional com diploma e preparação é algo que causa dor, tristeza e nojo desse sistema ditatorial  em que vive  a Venezuela”. Asseverou Duarte.

A Venezuela é hoje o país com o pior índice de inflação. Igualmente a Serra Leoa na África, a Venezuela vive na miséria imposta por seus caudilhos governantes, sendo um país rico com povo miserável.