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“Vamos entrar!”: A mensagem da CIDH na fronteira colombiana

Venezuelanos disseram ao Cidh em Bogotá sobre violações dos direitos humanos em seu país

06 fevereiro 2020 - 21h59Por Jose Luis A Monasterios
     Cidadãos venezuelanos denunciaram quarta-feira em Bogotá a uma delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) as violações dos direitos humanos de que foram vítimas em seu país e pelas quais tiveram que fugir para outras nações, principalmente para a Colômbia.
 

 
     A missão, liderada pela presidente da CIDH, Esmeralda Arosemena de Troitiño, chegou a Bogotá um dia depois que a companhia aérea da Copa não lhes permitiu embarcar no Panamá a Caracas para a primeira visita em 17 anos à Venezuela, e amanhã ele se mudará para Cúcuta, a principal passagem de fronteira da Colômbia com esse país.
 
     Em Bogotá, a comitiva, além de Arosemena, do Secretário Executivo da CIDH, Paulo Abrão, e do comissário Francisco Eguiguren Praeli, reuniu-se com vítimas, jornalistas e organizações sociais, bem como com ex-deputados, magistrados do Supremo Tribunal de Justiça ( TSJ) e membros do Ministério Público Venezuelano no exílio.
 
 
     Entre as denúncias recebidas a portas fechadas está a de que 129 deputados foram submetidos a tortura, ameaças, prisões arbitrárias e quebra de garantias processuais durante as investigações, entre outras, segundo a CIDH.
 
 
MORTE DO CAPITÃO ACOSTA
 
     Outro testemunho ouvido foi o de Waleska Pérez, viúva do capitão da marinha venezuelana Rafael Acosta Arévalo, que foi preso por contra-espionagem militar venezuelana em 21 de junho de 2019 e morreu na prisão dias depois.
 
      Pérez, beneficiária de medidas cautelares de proteção da CIDH, denunciou antes da missão o “desaparecimento, tortura e assassinato” de seu marido, cuja morte foi confirmada em 29 de junho pelo governador Nicolás Maduro e causou a condenação de diferentes países.
 
      O governo de Maduro havia denunciado três dias antes do desmantelamento de um golpe de Estado contra ele, supostamente planejado por 14 meses, e acusou o presidente colombiano Iván Duque de ser um promotor dessas ações.
 
      Em 27 de junho, o procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, anunciou a abertura de uma investigação do Ministério Público contra 14 civis e militares, incluindo Acosta Arévalo, por sua suposta conexão com esse plano.
 


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CENSURA DE IMPRENSA
 
      Os delegados da CIDH também conversaram com dois jornalistas do portal Armando.info que denunciaram as ameaças e a censura a que foram submetidos após investigar uma rede de lavagem de ativos que obteve milhões de recursos para a exportação fictícia de alimentos para a Venezuela. .
 
      Repórteres, que são exilados na Colômbia como dezenas de colegas, também alertaram que são vítimas de assédio judicial.
 
OUTRAS RECLAMAÇÕES
 
      A missão também ouviu o advogado da família do vereador Fernando Albán, que morreu sob custódia do governo e que, segundo a versão oficial, cometeu suicídio.
 
     O advogado denunciou "irregularidades graves" no processo de investigação deste caso.
 
Albán morreu em 8 de outubro do ano passado na sede do Serviço Nacional de Inteligência da Bolívia (Sebin), onde foi detido após ser acusado de participar de um ataque de drone contra Maduro.
 

     Nas audiências também houve organizações sociais que expressaram preocupação com a crise migratória, a situação das gestantes e o risco enfrentado pelos venezuelanos de serem vítimas de tráfico de pessoas.
 
     A CIDH havia sido convidada à Venezuela pelo chefe do Parlamento, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino do país do Caribe por mais de 50 países, mas o regime de Maduro esclareceu na semana passada que "em nenhum momento" havia autorizado a visita do Comissão, com sede em Washington.
EFE