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Danos causados pela COVID-19 afetam desproporcionalmente mulheres; alerta Diretora da OPAS

03 fevereiro 2021 - 18h57Por Silvio Rodrigues

Washington D.C., 2 de fevereiro de 2021 – A Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, alertou nesta quarta-feira (3) que os efeitos sociais, econômicos e de saúde da COVID-19 estão afetando desproporcionalmente as mulheres e pediu maior atenção às disparidades de gênero acentuadas durante a pandemia. Disse ainda que novas variantes do vírus foram detectadas em 20 países das Américas e que as vacinas adquiridas através do COVAX devem começar a chegar no final de fevereiro, informou Etienne.

Para superar esta pandemia, os países devem reconhecer e responder à dinâmica de gênero deste surto. Isso começa garantindo que mulheres e meninas tenham acesso aos serviços de saúde de que precisam - especialmente durante este tempo de crise. Isso inclui linhas diretas de violência de gênero e serviços de saúde sexual e reprodutiva, que são serviços essenciais.”

Embora os homens tivessem maior probabilidade de adoecer com a COVID-19 no início da pandemia, essas tendências estão se revertendo. Agora, as mulheres têm a mesma probabilidade de desenvolver a doença e são mais vulneráveis em muitas outras frentes. “As mulheres, que representam 70% dos profissionais de saúde do mundo, enfrentaram um enorme risco pessoal para cuidar de pacientes com COVID-19, mesmo quando tinham pouco equipamento de proteção à sua disposição”.  Declarou Etienne.

Até o momento, mais de um milhão de profissionais de saúde nas Américas contraíram a COVID-19 e 4 mil profissionais de saúde, a maioria deles mulheres, morreram.

Os graves impactos econômicos e sociais da COVID-19 recaem fortemente sobre as mulheres. “Muitas mulheres foram forçadas a deixar seus empregos para cuidar de suas famílias durante esta pandemia, afetando sua renda e seu bem-estar. E as medidas contínuas de ficar em casa, juntamente com as tensões econômicas adicionais, estão aumentando os riscos de violência doméstica. Para muitas mulheres, o lar não é um espaço seguro”.  Explicou Etienne

Etienne relatou que 36 dos países e territórios participantes do COVAX, o mecanismo global para distribuição equitativa das vacinas contra a COVID-19, foram notificados de que mais de 35 milhões de doses da vacina AstraZeneca devem começar a chegar ao fim de fevereiro. No fim de semana, os países receberam cartas do COVAX detalhando as doses que foram alocadas.

“À medida que vacinas limitadas contra COVID-19 chegam em nossa região, os países devem priorizar essas doses iniciais para nossos idosos e nossos profissionais de saúde - muitos dos quais são mulheres”. Disse Etienne. “Vacinar primeiro os profissionais de saúde é a coisa certa e inteligente a fazer: vai nos ajudar a salvar vidas, proteger nossos sistemas de saúde e recuperar nossas economias mais rapidamente.” Afirmou.

Abordando as novas variantes do vírus SARS-CoV-2, que causa a COVID-19, Etienne ressaltou que três novas variantes foram detectadas em 20 países nas Américas, embora sua frequência ainda seja limitada. As variantes levantaram preocupações sobre uma possível transmissão elevada.

A Diretora também atualizou o número de vítimas da pandemia na região. Na semana passada, mais de 1,8 milhão de pessoas nas Américas adoeceram com a COVID-19 e mais de 47 mil morreram. Na América do Norte, as infecções por COVID-19 estão diminuindo nos EUA e Canadá, enquanto no México, os casos e mortes continuam a aumentar.

Na América Central, Guatemala e Honduras continuam notificando um aumento nas infecções por COVID-19. Em todo o Caribe, a maioria das nações está vendo um alívio nas infecções, embora ilhas maiores como República Dominicana, Haiti, Porto Rico e Cuba continuem a gerar novas infecções. Quase todos os países da América do Sul registraram um aumento nas infecções por COVID-19 na última semana.

“Hoje estamos vendo que cidades, províncias e países que anteriormente conseguiram controlar os surtos de COVID-19 estão tendo um ressurgimento às vezes devastador de casos em nossa região e além. Isso deve servir como uma lição de que manter o vírus sob controle não é um esforço único, mas um compromisso constante enquanto a transmissão ainda está ativa”. Destacou.