quinta, 06 de maio de 2021
Terça Livre TV
Pró-Monarquia
Economia

Lojistas, comerciantes informais e população protestam contra decreto da fome.

26 dezembro 2020 - 18h08Por Silvio Rodrigues

Milhares de manifestantes realizaram um protesto na manhã deste sábado (26), no Centro de Manaus contra o decreto estadual que proíbe a abertura do comércio dito não essencial por 15 dias. A medida entrou em vigor neste sábado, e visa “frear alta de casos e internações por Covid-19”, segundo governo.

A manifestação no Centro da cidade fechou um trecho da Avenida Eduardo Ribeiro. Lojistas protestaram e camelôs apoiados por populares que circulavam pelo centro, contra decreto do governador, chamado por eles de decretação da fome e da total falência de negócios e famílias.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Queremos trabalhar!” e “Fora Wilson Lima”.

50 mil Reais é o valor afrontoso da multa com a qual o Governo ameaça os comerciantes

Não bastasse a imposição absurda de decretar fechamento do comercio em pleno período de compras, o decreto prevê multas de até R$ 50 mil para os estabelecimentos que insistirem em abrir nos próximos 15 dias no Amazonas. Com isso, shoppings, flutuantes, bares e estabelecimentos do comércio considerado não essencial, ficarão fechados. Já academias, mercados, feiras, cartórios e oficinas mecânicas, entre outros, terão o funcionamento permitido.

A Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE) entrou com uma liminar na justiça para pedir que os shoppings continuassem abertos ao público durante o período, com medidas restritivas, mas o pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

Em seis meses da pandemia de Covid-19, Amazonas registra mais de 120 mil casos

O Amazonas viveu o pior período da doença entre abril e maio, quando o sistema público de saúde entrou em colapso com quase 100% dos leitos de UTI ocupados. Na época, a capital também sofreu com colapso no sistema funerário, e teve corpos enterrados em valas comuns.

Quatro meses após flexibilização da quarentena, entre junho e setembro, o governo voltou a fechar estabelecimentos por conta de alta no número de internações pela doença. Foi proibida a abertura de bares, flutuantes, praias, entre outros locais de recreação.

Os manifestantes criticam o decreto, pois acreditam que podem falir ou perder o emprego durante o período em que o comércio estiver fechado. Em coro, eles pediam “Fora, Wilson Lima” durante a manifestação.

O anúncio do decreto foi feito pelo governador na quarta-feira (23) e pegou os lojistas de surpresa já que muitos fizeram contratações e compraram muitas mercadorias para abastecer o comércio no fim de ano.

O desemprego e a fome matam mais que o vírus

Nossa equipe de reportagem acompanhou a manifestação que teve inicio por volta das nove horas da manhã, quando um grupo de aproximadamente oito pessoas, de posse de um megafone, começaram a falar e convidar as pessoas a se juntarem ao movimento a fim de chamar a tenção da sociedade e das autoridades para a realidade que passa a população diante do quadro econômico estagnado por todo o ano de 2020.

Aos poucos o numero de manifestantes foi crescendo e vários lojistas baixaram as portas e liberaram seus funcionários para aderirem ao manifesto, onde também, os comerciantes camelôs e concessionários se juntaram e com apelo à populares que circulavam pelas proximidades da matriz; o movimento que começou pequeno, se transformou em multidão.

Durante a manifestação, Jesus Ferreira, um comerciante ambulante que trabalha no Largo da matriz falou à nossa reportagem sobre a situação. “O governador não tem nenhuma consideração com o povo do Amazonas. Desde abril ele vem com essas ordens sem levar em consideração que necessitamos trabalhar para sobreviver. Tivemos um ano parado e estamos agora em situação piorada pelo fim do auxilio emergencial que era pouco e agora nem isso tem mais. É muita maldade contra nós; a fome e o desemprego matam mais que o vírus”. Asseverou Ferreira.

Fechar abruptamente o comércio local sem levar em consideração os investimentos feitos por lojistas e a necessidade dos trabalhadores empregados e informais, é jogar empresas, famílias e pessoas em uma vala comum a aterrar com trator.

O Governador ainda tem tempo para rever suas decisões e ameaças decretadas. Deputados e Vereadores têm que se manifestar, pois estes aprovaram com alegria o aumento de seus volumosos salários, enquanto a maioria da população sofre com o desemprego, com a fome, com as privações que o momento de economia estagnada provoca.

Não é justo gastar milhões com uma árvore de natal sem qualquer finalidade ou utilidade e vir num momento desses, proibir o combalido comércio de Manaus, seja no Centro, bairros ou centros comercias de funcionar e permitir que empresários e empregados, assim como os autônomos, tenham o mínimo de esperança e dignidade.  

Reveja seus conceitos governador. Nós ecoamos a voz das ruas: “O SENHOR, OS DEPUTADOS E OS VEREADORES. TÊM SEUS SALÁRIOS E CONFORTO ASSEGURADOS. RESPEITE QUEM PRECISA TRABALHAR PARA SOBREVIVER”.