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LG fecha fábrica em São Paulo e produção de monitores e notebooks será transferida para Manaus.

08 abril 2021 - 15h34Por Silvio Rodrigues

Depois de anunciar o encerramento de sua divisão de celulares no mundo, a LG anunciou nesta terça-feira (6) que vai transferir suas linhas de produção de monitores e notebook de sua fábrica em Taubaté, no interior de São Paulo, para Manaus.

A planta fabril localizada no Vale do Paraíba tem cerca de 1.000 funcionários, 400 dos quais atuavam na linha de smartphones, que será encerrada.Na última segunda-feira, logo após o anúncio do fim da unidade, a multinacional sul-coreana havia dito que manteria a produção de monitores e notebooks em Taubaté.

Nesta terça, porém, em reunião com o Sindicato dos Metalúrgicos, a empresa afirmou que só vai manter em São Paulo seu ‘call center’, em razão de isenções fiscais que a empresa tem na Zona Franca de Manaus. "A empresa fará a transferência da produção de notebooks, monitores e ‘all in one’ para sua unidade de Manaus, de modo que fortaleceremos nossa competitividade comercial em TV, PCs e monitores", disse a LG em nota. A companhia disse ainda negociar com o sindicato de Taubaté para “implementar compensação adicional aos direitos já vigentes” aos dispensados.

Ao sindicato de Taubaté, a empresa afirmou que a decisão foi tomada em função de ter benefícios fiscais no Amazonas e não dispor das mesmas isenções em São Paulo. A entidade terá novas reuniões com a LG até sexta-feira, e busca reverter a decisão.

A decisão da LG é a segunda grande baixa no polo industrial do Vale do Paraíba neste ano. Em janeiro, a Ford anunciou sua saída do Brasil e o consequente fechamento de suas unidades no país. A montadora tinha uma fábrica de motores em Taubaté e gerava 830 empregos diretos.

Com o fim da sua unidade de celulares, a LG se tornou a primeira grande empresa que produz celulares a se retirar do disputado mercado de smartphones.

Mundialmente, o segmento é hoje liderado por Apple e Samsung, que detinham respectivamente 23,4% e 17% das vendas globais no terceiro trimestre de 2020, segundo a consultoria IDC. Em seguida, aparecem as chinesas Xiaomi (11,6%) e Huawei (8,6%).

A LG aparece no ranking de 2020 na nona posição entre as fabricantes em número de vendas, com uma fatia de mercado de apenas 2%. No Brasil, no entanto, também segundo dados da IDC, a empresa estava entre as três maiores, com 12% do mercado nacional, competindo com Samsung, Motorola e Apple. Em 2020, a empresa chegou a ganhar dois pontos percentuais em participação no mercado nacional.

A empresa sul-coreana disse que o fim das operações no segmento dos celulares foi definida após prejuízos acumulados na área desde 2015. A companhia já havia tentado vender todo o setor, sem sucesso. "Desde o segundo semestre de 2015, o nosso negócio global de celulares tem sofrido uma perda operacional por 23 trimestres consecutivos, resultando em um acumulado de aproximadamente US$ 4,1 bilhões (em perdas) até o final de 2020", informou a empresa em nota.