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Palácio das Águias em Marataízes/ES

O Palácio das Águias tem origem numa edificação simples do século XIX. Seus primeiros proprietários foram Alfredo e Manoel Duarte. Provavelmente serviu como pouso de tropeiros nessa época.

14 fevereiro 2020 - 08h51Por Maycon Souza

Essa construção imponente e antiga é um dos mais belos exemplares da arquitetura eclética capixaba. O Palácio das Águias foi construído no século XIX e possui estilo colonial português. Além disso, o local tem dois leões em mármore, duas águias no alto e vitral de policromia francesa.

O casarão, com 129 anos de histórias pra contar, estava em ruínas. O prédio foi todo recuperado, e reinaugurado no fim de 2010.

História do Palácio das Águias

O Palácio das Águias tem origem numa edificação simples do século XIX. Seus primeiros proprietários foram Alfredo e Manoel Duarte. Provavelmente serviu como pouso de tropeiros nessa época.

Em 1903, foi adquirido pelo negociante português Simão Rodrigues Soares. Remodelado, o edifício se tornou uma luxuosa residência, chamada de Palácio das Águias por causa de duas esculturas colocadas no telhado, em homenagem aos filhos homens de Soares.

Além das águias, a casa recebeu fachadas em estilo eclético, e dois leões ladeando a escadaria na parte frontal. Até a década de 20 do século passado, o Palácio das Águias se destacava como uma magnífica edificação, palco de históricos encontros políticos durante a Primeira República.

Como patrimônio cultural do Espírito Santo, o conjunto arquitetônico formado pelo Palácio das Águias e pelo Trapiche passou por processo de tombamento, registrado na Resolução n° 01/1998, do Conselho Estadual de Cultura. 

Restauro

A obra, realizada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, em parceria com a Prefeitura Municipal de Marataízes, teve investimentos de R$ 629 mil. O projeto de restauro do Palácio das Águias foi elaborado por Cora Augusta Duarte Aguieiras - arquiteta urbanista, que respeitou as características originais do casarão.

A construção de um só pavimento sobre porão alto, tem suas quatro fachadas dispostas de forma a serem bem visíveis. Sua planta, em formato de "L", tem divisão interna tradicional para as moradias da época: parte social na frente, íntima no centro e de vivência nos fundos, com um corredor central que dá acesso a todos os cômodos. Originalmente em alvenaria de barro, suas paredes foram construídas diretamente sobre as rochas. O piso e o forro são de madeira, exceto no anexo de serviço (cozinha, banheiros e lavanderia), onde o piso é de ladrilho hidráulico.  

O telhado representa, talvez, o único vestígio do edifício colonial original do século XIX. Possui estrutura em quatro águas e é coberto com telhas de barro tipo marselha e enquadramento em madeira.

A fachada de entrada do Palácio apresenta uma platibanda (que emoldura a parte superior de um edifício e tem a função de esconder o telhado) delineada com motivos abstratos e pictóricos. É formada por três frontões caracterizados por formas retilíneas e curvas.

Biblioteca modelo

A Biblioteca Municipal, que antes funcionava em um espaço provisório, está sob cuidados do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Espírito Santo (SEBPES). Uma equipe especializada, em constantes visitas ao município, organizou, analisou, e fez uma triagem no antigo acervo.

Como o espaço do Palácio das Águias é amplo, foi possível montar uma estrutura semelhante à da Biblioteca Pública Estadual. O acervo será todo organizado em divisões: de obras gerais (literatura clássica e contemporânea); de coleções especiais (com setor de obras raras e valiosas, infanto-juvenil, e documentação capixaba); e de periódicos (jornais e revistas).