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Manaus volta a registrar lotação de hospitais e Prefeitura decreta estado de emergência.

07 janeiro 2021 - 01h15Por Silvio Rodrigues

Depois Nove meses que Manaus exibiu ao Brasil o colapso produzido pelo novo coronavírus, está de volta à peregrinação de ambulâncias que não têm onde deixar os doentes. Assim como a adaptação de cemitérios onde falta espaço para enterrar os mortos. Diante da situação de calamidade pública, O prefeito de Manaus, David Almeida, decretou estado de emergência por 180 dias por conta do avanço da Covid-19 na cidade. O decreto autoriza, entre outras medidas, contratação temporária de pessoal, de serviços e aquisição de bens e materiais.

Manaus voltou a ter hospitais lotados por conta da Covid. Nos últimos dias, a cidade registrou recorde de novas internações que superaram números vistos em abril e maio, quando houve colapsos no sistema público de saúde e funerário. Cemitérios também voltaram a registrar filas de carros funerários.

No primeiro pico da doença no estado, entre abril e maio, a rede pública de saúde operou com quase 100% dos leitos ocupados, e caixões foram enterrados empilhados e em valas comuns em Manaus. Mais de cinco mil pessoas morreram com a Covid-19 em todo o Estado. A partir de agora, fica determinado a suspensão da autorização para eventos até 31 de janeiro; proibição do corte das contas de água e esgoto até 31 de março; estabelecimento do teletrabalho na administração municipal até 31 de março.

O Decreto nº 5.001, que trata sobre “situação anormal” em Manaus, foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) desta segunda-feira (4). O Governo do Amazonas também voltou a decretar o fechamento de atividades não essenciais por 15 dias, após resolução da Justiça.

Conforme decreto de emergência, fica autorizada a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) a constituir grupo gestor da Sala de Situação de Vigilância em Saúde, para enfrentamento da situação causada pelo novo coronavírus, assim como caberá à pasta planejar e controlar medidas a serem adotadas, a partir de diretrizes do Ministério da Saúde (MS). A publicação prevê também a articulação com os governos Federal e Estadual para combater a emergência, bem como meios necessários para implantação do “Plano Operativo para a Pandemia do Coronavírus”.

A Prefeitura de Manaus decretou nesta terça-feira (05/01) estado de emergência por 180 dias devido à alta no número de novos casos e mortes por covid-19. O decreto, assinado pelo prefeito David Almeida autoriza o governo municipal a fazer contratações temporárias de pessoal, serviços e materiais sem a necessidade de licitação.

Em entrevista à emissora CNN Brasil nesta terça-feira, o Prefeito reconheceu que Manaus vive um novo colapso em seu sistema de saúde e que, se o número diário de mortes seguir no nível atual, a cidade só terá covas disponíveis para mais dois ou três meses. Almeida disse que a prefeitura irá contratar a abertura de mais 22 mil covas com urgência. “Estamos contratando para que de forma emergencial nós possamos garantir que essas famílias possam ter seus entes queridos sepultados de forma digna. Os próximos 10, 15 dias serão fundamentais para diminuirmos essa transmissão do vírus na nossa cidade”. Afirmou Almeida.

Alto índice de internações

A capital do Amazonas vem registrando recordes de novas internações, superando os números do início da pandemia. Na segunda-feira (04/01), 177 pessoas foram hospitalizadas com a covid-19 na cidade. Moradores relatam casos de hospitais lotados, com pacientes aguardando tratamento em macas nos corredores, e filas de carros de funerárias em cemitérios. Alguns hospitais também voltaram a instalar contêineres refrigerados do lado de fora de suas instalações para receber os cadáveres de vítimas da covid-19.

Em todo o Amazonas, até a data de hoje (06/01), a taxa de ocupação de leitos de UTI da rede pública destinados a pacientes com covid-19 era de 92% e, da rede privada, de 94%, segundo boletim da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas. Manaus foi uma das primeiras cidades brasileiras a ser atingida fortemente pela pandemia em abril e maio de 2020, quando hospitais tiveram que recusar pacientes, e o cemitério Parque Tarumâ recebeu enterros em valas comuns.

O alto número de infecções em Manaus no início da pandemia levou alguns pesquisadores a considerar que a cidade havia atingido um grau de imunidade de rebanho, ponto em que o percentual de pessoas com os anticorpos faria com que a circulação do vírus desacelerasse. No entanto, ainda não se sabe quanto tempo dura a imunidade de pessoas que foram contaminadas, e há casos de reinfecção.

A cidade de 2,2 milhões de habitantes já registrou mais de 83.000 infectados e 3.400 mortos por covid-19 desde o início da pandemia.