quinta, 06 de maio de 2021
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Manaus vive uma onda crescente de violência urbana

21 dezembro 2020 - 07h01Por Silvio Rodrigues

Manaus tem sofrido nos últimos tempos um elevado índice de violência urbana. Os atos e os atores não escolhem ou distinguem as vitimas. São crianças, jovens mulheres, idosos e pessoas de todo tipo.

Com o período de pandemia que levou muitas pessoas ao estado de miséria, desalento e desespero pela falta de trabalho e renda; muitos se deixaram envolver pela ilusão do “ganho fácil”, se envolvendo com o tráfico de drogas e outros com furtos e assaltos. Mulheres e crianças foram e têm sido as principais vítimas da violência praticada e aumentada neste período, o que coloca em alerta as autoridades e as pessoas de bem que se importam e se indignam com o número elevado de casos.

O mais triste em meio a tanta falta de humanidade é ver que a muitos veículos de comunicação ainda valorizam os atos violentos e dão preço às drogas, o que faz desses elementos infratores, atores de sucesso, pois muitos que assistem a esses programas e jornais sensacionalistas veem estas pessoas como exemplares, principalmente os que praticam o tráfico de drogas e roubos.

O fato de colocar e mostrar notícias com destaque para o mal feito e os malfeitores, transforma o mal em algo desejável, principalmente por uma grande parcela de nossa juventude. É lamentável ver rapazes correndo as ruas dos bairros em motos barulhentas e anunciando orgulhosamente que estão na área para assaltar. Ver moças se envolvendo com rapazes desse tipo, se autodenominando “blindadas” e depois ver tristes noticias em vídeos que circulam na internet, onde elas aparecem sendo torturadas e até mortas e outras vezes têm seus corpos encontrados em lugares a ermo.

Sabe-se que a violência que assola as cidades no Brasil é um fenômeno multicausal. Ademais, a violência, sobretudo a urbana, torna-se tema diário da mídia que a todo o momento revela-nos a sua face por meio de manchetes nas mídias impressas, Tevê, rádio ou em portais de noticias. E isso tudo causa uma sensação de insegurança e medo na sociedade de uma forma geral.  

Com o aumento da expansão urbana, acelera-se o processo de desigualdade e eclodem situações de violência e criminalidade. Tal eclosão afeta todos os membros em sociedade e traz um enorme custo, desde o social ao econômico, no seu avesso. Como consequências da violência urbana, podemos citar inúmeros exemplos de atrocidades cometidas diariamente, noticiadas pelas redes de televisão, rádios, jornais e portais, como: sequestros e assaltos nas grandes metrópoles, estupros de crianças, assassinatos em série, entre outros, que causam pavor na sociedade. Além da consequência social, cabe salientar ainda a consequência econômica que a violência urbana gera aos cofres públicos, uma vez que, na tentativa de amenizar os problemas resultantes da violência, investimentos que poderiam ser aplicados em políticas de promoção do bem-estar social, acabam sendo “aplicados” em segurança.

A solução para o problema da violência urbana envolve não apenas a questão da segurança pública, mas também questões como melhoria do sistema de educação, moradia, oportunidades de emprego entre outros fatores e requer uma grande mudança nas políticas públicas e na sociedade como um todo.

Por outro lado, ao tratar o problema apenas como uma questão de polícia e de justiça criminal, sem a correspondente intervenção social à ação policial, os governos estariam combatendo apenas as violências periféricas sem efetivamente combater aspectos estruturais da violência urbana, o que favoreceria, sobretudo, às organizações criminosas e à manipulação de comunidades inteiras pela economia do crime.

Avançar para além do obsoleto paradigma poder-polícia-prisão é condição imprescindível para responder, de modo mais efetivo, às questões de insegurança pública e da violência urbana, em especial na direção do repúdio e superação de todas as formas de violência, cuja gênese ainda revela a privação e violação de direitos humanos fundamentais.

Manaus precisa de planejamento em diversas áreas e ações de resgate e controle social. Precisamos de Educação de verdade e que nossos veículos de comunicação sejam orientados a não dar preço a drogas e nem supervalorizar elementos infratores, evitando assim, a fama e o valor que estes ganham entre os menos informados.