quinta, 06 de maio de 2021
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Governo do Estado e Prefeitura de Manaus impulsionam crise na saúde

22 janeiro 2021 - 00h17Por Silvio Rodrigues

O escândalo gerado pelo privilégio dado a duas “médicas” recém-formadas pela escola da família e recém-contratadas pela Prefeitura de Manaus causou indignação nacional, vindo a ser matéria de capa da Revista Veja e outros veículos da grande, media e pequena mídia Brasil afora.

O direito deve ser assegurado a todos os cidadãos, principalmente aos profissionais da saúde que estão atuando na linha de frente do combate à pandemia do coronavirus que tem feito diariamente centenas de vitimas em Manaus e em todo o Estado do Amazonas.

Não se pode aceitar o fato de que pessoas que sequer têm qualquer experiência no serviço de saúde e principalmente, que foram colocadas em cargos de alta responsabilidade por troca de favores, que não têm nenhum senso de responsabilidade; serem colocadas como prioritárias diante de um verdadeiro exército de pessoas abnegadas que diariamente colocam suas vidas e de seus familiares em risco, lutando bravamente para ajudar a salvar vidas alheias, mas que na visão dos governantes e assessores, são vistos como pessoas de importância secundária e priorizam meninas que pensam estar brincando com suas coleguinhas.

É revoltante para qualquer pessoa de bem deparar-se com tais fatos e isso tem repercutido negativamente. Pior ainda é ver que diante de tamanho absurdo, o Prefeito de Manaus aparece com uma explicação tão infantil quanto o ato de suas apadrinhadas, tentando justificar a ação insana e proibindo a divulgação de qualquer ato relativo a informações sobre a vacinação dos servidores da saúde que trabalham para o município.

Falta ao Prefeito David Almeida cercar-se de gente séria, pessoas que trabalham pelo bem comum, o que é obrigação de qualquer gestor público; mas, ao contrario do normal, o Prefeito tenta justificar erros e comete outro grave erro ao suspender o plano de vacinação para cidade de Manaus, deixando os trabalhadores da saúde em desalento e a população em desespero.

Além do problema causado pelas meninas mimadas, ainda veio a nomeação de pessoas sem competência ou comprometimento para cargos de confiança dentro da gestão municipal. Algo como pagamento de promessas ou prêmio de consolação a aliados falidos politicamente.

Enquanto isso, a crise continua e se agiganta. O problema da falta de suprimentos de oxigênio e outros insumos hospitalares é uma triste realidade que só piora e que não se veem providências e nem ações que o momento exige.

Hospitais, unidades básicas de saúde e cemitérios superlotados; famílias perdendo seus entes queridos, maternidades sendo transformadas em hospitais de emergência, alas inteiras em hospitais tendo seus pacientes  mortos por asfixia,  a triste e cruel seleção de quem vai viver mais algumas horas e de quem vai morrer por falta de oxigênio; tem causado pânico, depressão e outras doenças mentais e neurológicas em profissionais da saúde.

Desespero nos municípios do interior 

O descaso e a inação do Governo do Amazonas no trato da situação calamitosa por que passamos, está causando desespero nos prefeitos e população do interior do Estado, visto que todo o serviço e atenção mínima têm sido concentrados em Manaus.

Na terça-feira (19), o Presidente da Associação Amazonense de Municípios e Prefeito de Manaquiri Jair Souto, participou da sessão hibrida da Assembleia Legislativa do Amazonas onde até lamentou emocionado e chorou ao questionar o fato de Manaus concentrar os serviços de UTI (unidades de tratamento intensivo) e os municípios-polo não terem a capacidade mínima de atendimento nem em tempo normais, menos ainda em tempos de crise como o atual momento.

O Presidente reclama da quantidade de pessoas doentes que chegam às sedes dos municípios e que não têm como serem atendidas por falta de hospitais e principalmente equipamentos para atender à grande e crescente demanda. O Prefeito afirma que há mais de 500 pacientes esperando e morrendo nas filas de UTI e diariamente são em torno de 60 pacientes que não têm a quem e nem a que recorrer.

Agravante a isto, tem a questão de logística em nosso Estado que é de dimensões continentais e as cidades não são interligadas. Dependemos de transporte fluvial, o que é demorado e arriscado quando se trata de transporte rápido, além do que, o transporte aéreo é muito caro e difícil.

Além de todo o sofrimento por que passam as populações do interior, o Presidente denunciou que vários profissionais de saúde, secretários e funcionários das prefeituras que transportavam cilindros de oxigênio para as unidades hospitalares do interior, tiveram sua carga apreendida pela Policia Militar por ordem do Governo do Estado, mesmo apresentando documentação e justificativas para o transporte.

Não houve medidas preventivas do Governo do Estado nem em Manaus e muito menos nos municípios do interior com relação à falta de suprimento de oxigênio e outros insumos hospitalares.

No município de Iranduba registrou-se até a terça-feira, 22 mortes por falta de oxigênio; Manacapuru registrou 12 mortes e outros municípios com números não registrados, mas informações variantes dão conta de que entre houve 30 e 50 mortos em quase todos  nesta primeira quinzena de janeiro.

Algumas prefeituras do sul do Amazonas estão providenciando a compra de oxigênio em Rondônia ou no Acre e alguns outros municípios se uniram e tomaram a iniciativa de comprar oxigênio em Belém.

Apesar das limitações e das dificuldades logísticas, financeiras e burocráticas, esses valorosos gestores têm dado exemplo de determinação e competência ao senhor governador quando se unem e buscam alternativas para sanar o que lhes for possível ou diminuir o sofrimento e a dor de quem vive o desalento e a falta de perspectivas que a pandemia tem causado, além da falta de crença em governantes e legisladores que veem mundos desabarem sem nenhum sentimento de misericórdia ou respeito por nossa gente e por aqueles que a eles confiaram o cargo e o destino de nossas vidas.