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VOZ DO TRONO

HÁ SETENTA E CINCO ANOS, A FAMÍLIA IMPERIAL RETORNAVA AO BRASIL

24 agosto 2020 - 02h20Por Pró Monarquia
Sua Alteza Imperial e Real a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, por ocasião do batizado de seu quinto filho, Sua Alteza Real o Príncipe Dom Pedro de Alcântara de Orleans e Bragança, celebrado na Catedral de São Pedro de Alcântara, no dia 28 de dezembro de 1945.        
Depois da quartelada de 15 de novembro de 1889, o Imperador Dom Pedro II e os seus foram expulsos do território nacional pela odiosa Lei do Banimento (Decreto 78-A de 21 de dezembro de 1889), que seria revogada somente em 1920. Entretanto, dificuldades de toda ordem – em não pouca medida, causadas pelo confisco ilegal dos bens da Família Imperial Brasileira pelos novos donos do poder – impediram um retorno definitivo até o dia 21 de agosto de 1945 – precisamente há setenta e cinco anos.
As esquerdas brasileiras se gabam de terem comprovado a fidelidade à sua ideologia enfrentando o mais longo exílio político de nossa História; aliás, aproveitam-se disso para conseguir indenizações milionárias. Mas a verdade é que o exílio da Família Imperial foi muito mais longo e penoso: cinquenta e seis anos, durante os quais seus membros conservaram um amor acendrado pela Pátria e a disposição de servi-la sem jamais pedir algo em troca, especialmente vantagens financeiras.
Com a derrota da Alemanha Nazista e o término dos combates da Segunda Guerra Mundial na Europa, em maio de 1945, logo chegou a notícia de que um navio português, o Serpa Pinto, embarcaria de Lisboa com destino ao Rio de Janeiro.
Vivendo na França, país onde nascera, o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, imediatamente telegrafou, reservando passagens para si, sua esposa, a Princesa Consorte do Brasil, Dona Maria da Baviera de Orleans e Bragança, e seus quatro filhos, o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, os Príncipes Dom Eudes e Dom Bertrand e a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança – de seis, cinco, quatro e um ano de idade, respectivamente; todos nascidos em exílio, mas devidamente registrados na representação brasileira competente.
Depois de uma travessia tormentosa da Espanha do Generalíssimo Francisco Franco, em trem fechado e sem autorização para descer, chegaram a Portugal, passando uma semana muito agradável em casa de amigos portugueses no Estoril e em Lisboa, à espera do aguardado embarque para o Brasil.
O Serpa Pinto, que partiu da capital lusa em fins de julho ou no início de agosto, depois de passar pela Ilha da Madeira, precisou fazer um desvio até Curaçau, nas Antilhas Holandesas, a fim de reabastecer – na fase final do Teatro de Operações no Pacífico, o combustível era ainda racionado e dificilmente encontrado. Durante a travessia do Atlântico, os passageiros e a tripulação celebraram quando chegou a notícia da capitulação do Japão – a terrível Segunda Grande Guerra enfim havia terminado.
Finalmente, passadas algumas semanas de viagem, no dia 21 de agosto, o navio adentrou a Baía de Guanabara. Em suas memórias ainda inéditas, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, hoje Chefe da Casa Imperial do Brasil, registrou o que se lembra daquele momento inesquecível:
“A névoa cobria a Baía de Guanabara na manhã de nossa chegada, e por isso nós só pudemos ver nesgas da maravilhosa paisagem: um pouco do Pão de Açúcar e, de vez em quando, o Cristo Redentor aparecia entre as nuvens, como para nos dar as boas vindas e nos abençoar.
“Entretanto, mais uma coisa me impressionou profundamente nesse dia: foi o modo como os monarquistas brasileiros, que tinham vindo a bordo para nos receber, cumprimentavam meus Pais e a nós, crianças. Havia algo de respeito, de veneração e de esperança, mais nos seus gestos que nas suas palavras, que me fez sentir claramente que eu tinha, do mesmo modo que meu Pai, uma missão, um dever para com o País que eu via pela primeira vez.
“Creio que, para mim, foi uma graça de Deus o fato de que o Rio de Janeiro estivesse coberto de névoa quando chegamos, pois é possível que o panorama da Guanabara, à luz de um belo dia de sol, de tal maneira me deslumbrasse, que eu não teria percebido algo de muito mais alto, que eram as almas dos brasileiros que nos acolhiam e o dever que isso significava para mim.”
 
No Rio de Janeiro, a Família Imperial morou inicialmente no bairro de Santa Teresa, antes de transferir-se para Petrópolis, onde a 1º de dezembro
Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, com seus filhos, Sua Alteza Imperial e Real o Príncipe Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança, e Suas Altezas Reais os Príncipes Dom Eudes e Dom Bertrand e a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, após sua chegada ao Rio de Janeiro, no dia 21 de agosto de 1945.

daquele ano a Princesa Consorte deu à luz seu quinto filho, o Príncipe Dom Pedro de Alcantara de Orleans e Bragança, o primeiro dinasta brasileiro a nascer em solo pátrio em mais de sessenta anos. Durante os anos seguintes, o Casal Imperial teria mais sete filhos, resultando em uma numerosa prole de doze Príncipes e Princesas, todos educados segundo o ideal monárquico de serviço à Nação.

Nas seis décadas em que foi Chefe da Casa Imperial, de 1921 até o seu falecimento em 1981, o Príncipe Dom Pedro Henrique soube encarnar os valores de nossa Monarquia, dando ao Brasil o exemplo como pai de família e católico exemplar. No período em que ainda vigorava a cláusula pétrea, que punha os monarquistas à margem da lei, conseguiu ter uma ação discreta, porém catalisadora, que manteve acesa a chama dos ideais monárquicos, inspirando o surgimento de grupos monarquistas em todo o País, e impedindo, diante de todos os obstáculos, que a Monarquia fosse esquecida.

Passados setenta e cinco anos de seu aguardado retorno à Pátria, seu filho primogênito e sucessor dinástico tem dado prosseguimento à missão da Família Imperial.

O Brasil está hoje em uma decadência como jamais esteve em sua História. A moralidade pública desapareceu por inteiro, o descrédito da classe política não poderia ser maior, só há desesperança e desânimo nas instituições públicas. No entanto, o Príncipe Dom Luiz e os ideais da Monarquia pairam por cima de todas essas baixarias, constituindo uma autêntica reserva moral da Nação, à espera de dias melhores, que, temos plena certeza, virão...

... E que talvez estejam mais perto do que parece!