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A Marinha do Brasil e as glórias comemoradas no mês de dezembro: Viva a Marinha! : Por Reginaldo Andrade.

21 dezembro 2020 - 07h02

O mês de dezembro tem forte significado para a família Marinha do Brasil, pois neste mês comemoram-se eventos de grande importância para a Força Naval e para a nação brasileira.  Neste mês, no dia 13 de dezembro, comemora-se o Dia do Marinheiro. Data do nascimento do Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Almirante Tamandaré, um dos grandes Heróis Nacionais, Patrono da Marinha do Brasil.

Sempre que pensamos nas atividades da Marinha do Brasil (MB) focalizamos a maioria de suas atribuições relacionadas ao mar, como porção do Atlântico Sul pertencente ao nosso país. Entretanto, é importante lembrar que a sua missão constitucional e responsabilidade político-estratégica está relacionada à defesa das águas jurisdicionais brasileiras, o que inclui o ambiente lacustre e ribeirinho. Ao longo da história de nosso país os maiores engajamentos bélicos foram empreendidos tanto no mar quanto nos rios, tal como ocorreu na Questão Cisplatina, na Guerra do Paraguai e nas duas Grandes Guerras no século XX.

Com as mudanças da orientação da prioridade de defesa para a Amazônia e a eclosão de novos conflitos e ameaças às regiões Norte e Centro-Oeste tiveram maior peso no planejamento da defesa nacional, o que põe a MB uma situação de maior incremento de sua presença amazônica no litoral e nas bacias hidrográficas desta área, tal qual está preconizada na Política de Defesa Nacional (PDN) de 2005, na Estratégia Nacional de Defesa (END) de 2008 e no Livro Branco de Defesa nacional de 2010. Desde o período da colonização e da formação do Estado-nação brasileiro, a Marinha tem participado de operações militares e humanitárias. Destaca-se a sua ação na Bacia Amazônica, na qual ela desempenha a sua atividade-fim de patrulha e defesa, como também ações de cunho cívico-social / humanitário na assistência às populações ribeirinhas.

 

Histórico

1808, com a transferência da família real lusitana para o Rio de Janeiro, a Marinha Brasileira deu um salto em sua estrutura. Com a vinda do rei D. João VI, grande parte da estrutura e do pessoal da Marinha Lusa também foi transferida para o Brasil. Essa estrutura seria a base, durante e após a independência, da Marinha Imperial brasileira.

A Marinha Imperial

Durante o Brasil Monárquico, a Marinha Imperial tomou parte em praticamente todos os conflitos em que o país se envolveu, desde a guerra de independência, a Confederação do Equador e a Guerra Cisplatina, ainda no reinado de Pedro I, até a Guerra do Paraguai e as diversas revoltas populares do século XIX.

Na Guerra do Paraguai, foi travada uma das batalhas mais importantes da Marinha Brasileira, a Batalha de Riachuelo. Durante todo o Império, a Armada Nacional, como era chamada a Marinha, se manteve relativamente bem equipada dentro do contexto sul-americano.

A Marinha do Brasil no século 20

Quando da proclamação da República, a Marinha Imperial era uma das instituições mais fiéis a D. Pedro II. Mas, durante a República Velha, perdeu importância em detrimento do Exército, vendo seus meios navais ficarem obsoletos rapidamente.

No século 20, a Marinha Brasileira tomou parte na Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Na Primeira Guerra, foi enviada uma esquadra para patrulhamento do Oceano Atlântico. Já na Segunda Guerra, participou de patrulhas anti-submarino e de proteção aos comboios de suprimentos que cruzavam o oceano atlântico.

Na década de 1970, entraram em serviço as fragatas da classe Niterói, até hoje os principais navios da Marinha Brasileira.

No ano de 2017, o maior navio que a Marinha já operou, o porta-aviões São Paulo, foi desativado após anos de serviço. Atualmente, a Marinha brasileira participa da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, conhecida como UNIFIL. Desde 2011, quando entrou na missão, a Marinha Brasileira lidera a UNIFIL com uma fragata e uma aeronave embarcada. Em conjunto com navios de outros países, como Alemanha, Grécia, Turquia, Indonésia e Bangladesh, participa de patrulhas para impedir a entrada de armas e contrabandos no Líbano e no treinamento da força naval libanesa.

A Esquadra Brasileira

A Esquadra é subdividida em forças, as quais são organizadas de acordo com o ambiente operacional em que suas unidades atuam. São elas:

Comando da Força de Superfície (ComForSup) – Consiste nos navios de superfície como fragatas e corvetas;

Comando da Força de Submarinos(ComForS) – Consiste nos submarinos da Marinha brasileira;

Comando da Força Aeronaval (ComForAerNav) – consiste na força aeronaval da Marinha, composta por helicópteros e aviões.

A Esquadra brasileira está sediada na ilha de Mocanguê, Rio de Janeiro-RJ, e é apoiada pelas seguintes bases e centros navais:

Base Naval do Rio de Janeiro (BNRJ) – responsável pelo apoio aos navios de superfície, como fragatas e corvetas;

Base Almirante Castro e Silva (BACS) – responsável pelo apoio aos submarinos

Centro de adestramento Almirante Marques Leão – responsável pela formação profissional do pessoal da Marinha.

 

Geopolítica e Amazônia – Importância e atuação da Marinha do Brasil

Temos sabido que, além das nações amazônicas, dentre os países de maior capacidade de atuação na região, estão presentes, a superpotência estadunidense e alguns países europeus, como a França, a Holanda e a Inglaterra pelas suas atividades histórico-culturais desde os tempos da colonização. Decerto, os EUA têm uma influência singular e marcante nos objetivos geopolíticos extra-regionais sobre o norte da América do Sul, que são tributários à criação e inversão da Doutrina Monroe e atualizados por causa de sua presença no contexto internacional do século XX e XXI.

Eles estão presentes na região amazônica e no Caribe, em função das denominadas ameaças aos seus interesses, representadas pelos grupos guerrilheiros, traficantes de drogas e os passos dados pelo bolivarianismo chavista. Isto vem acontecendo, guardadas as devidas proporções, relacionadas ao pouco efeito prático imediato do movimento Chavista e seus aliados. Sendo mais retórico do que efetivo, o governo venezuelano possui uma atitude de confrontação discursiva em relação a Washington, mas mantêm com os EUA uma intensa balança comercial baseada na venda de petróleo. Por isso mesmo, as autoridades estadunidenses foram acusadas de promoverem tentativas de golpe de estado contra o governo chavista ao longo da última década.

Sabe-se que os interesses dos EUA nos países do norte do subcontinente sul-americano têm a ver com questões de segurança e de geração de energia, notadamente o petróleo, inclusive nas áreas dominadas pelos grupos guerrilheiros colombianos, concedendo uma ajuda de quase US $ 5 bilhões através do Plano Colômbia. Este Plano foi que foi lançado em 2000, pelo presidente democrata Bill Clinton permaneceu em frente e foi incrementado pelas atitudes unipolares no governo do republicano George W. Bush.

Durante seus dois mandatos consecutivos, esse presidente concedeu aproximadamente US $ 700 milhões, por ano, na maioria para emprego militar, tornando a Colômbia, “um aríete dos EUA contra o flanco da América do Sul”.

Isto demonstra que não se pode ignorar a manutenção dos interesses globais dos EUA para conservar a sua hegemonia e fincar a sua presença na América do Sul, utilizando seu aparato militar, suas empresas de várias atividades econômicas, e a influência de sua indústria cultural. A militarização da situação colombiana é um fator a ser considerado pelo Brasil e demais países amazônicos.

 Missão e Atividades na Amazônia

Para cumprir suas responsabilidades amazônicas, a MB assume tarefas em 140.000 milhas quadradas de área marítima e 11.000 milhas de área fluvial navegável num espaço que representa quase a metade do território nacional, tendo por tarefas principais: a) executar operações navais nas áreas marítimas e fluviais e operações terrestres de caráter naval; b) apoiar as unidades das forças navais fuzileiros navais; c) acompanhar o tráfego marítimo; d) controlar atividades de segurança marítima, fluvial e lacustre; e) patrulhar e policiar as águas costeiras, além de prestar socorro marítimo; f) cooperar na preservação e utilização dos recursos marítimos; g) cooperar com aços de defesa civil em calamidades públicas; h) supervisionar assistência às populações ribeirinhas; i) empreender atividades de informação e inteligência; j) agir coordenadamente para a segurança interna com demais Forças e l) realizar atividades de mobilização marítima.

A fim de bem cumprir a sua missão, ressalta-se que seria necessário melhorar a capacidade dos meios navais que estão em estado precário em relação às exigências de preparo e emprego para ajudar o país a se opor a qualquer tipo de ação baseada na cobiça internacional sobre a região.

Assim vê, sente e pensa um Fuzileiro Naval que teve a feliz oportunidade de fazer parte da grande família MB e por esta, de participar de várias missões nacionais e internacionais, cumprindo com louvor as missões recebidas e recebendo títulos, comendas e diplomas; e que antes, durante e depois de sua atuação direta na vida militar; segue estudando defesa e estratégias para bem compreender e valorizar a importância da nossa gloriosa Marinha do Brasil em todo o seu conteúdo e em todas as suas ações em prol dos que vivem neste solo onde nossa Mãe gentil é a Pátria Amada Brasil.

“E, avante marinheiros, Operários, Fuzileiros. Um brado levantemos à nossa rainha:

HIP!HIP!HIP!Rá! Viva a Marinha!” (Canção Viva a Marinha).

 

O autor é 2º Sargento Fuzileiro Naval, Administrador de Empresas, Comendador e Diretor-Presidente do Jornal O Conservador.

 

 

Fontes de pesquisa:

https://www.marinha.mil.br/

PAIAGUÁS: revista de estudos sobre a Amazônia e o Pacífico – vol. 01, n. 01 – fevereiro - julho de 2015.