sábado, 08 de maio de 2021
Saúde

Após vexame das “patricinhas fura-fila”, Prefeitura de Manaus retoma processo de vacinação

25 janeiro 2021 - 01h46Por Silvio Rodrigues

Depois de dois dias de paralisação no processo de imunização, causado pelo escandaloso vexame com as médicas recém-formadas e nomeadas em forma de troca de favores; a Prefeitura de Manaus voltou a vacinar contra a covid19 na tarde de sábado (23). A interrupção, iniciada na última 5ª feira (21), teve como objetivo o reordenamento da lista de trabalhadores a serem vacinados, por unidade hospitalar e setor, segundo nota da Prefeitura.

As “médicas” Isabelle Kirk Maddy Lins e Gabrielle Kirk Maddy Lins, filhas de Nilton da Costa Lins Júnior, presidente da Universidade Nilton Lins, publicaram fotos do momento da aplicação da vacina nas redes sociais na última 3ª feira (19). Elas foram nomeadas na véspera do início da vacinação na cidade. A prefeitura de Manaus afirmou, em nota enviada à imprensa, que a nomeação das médicas foi feita de forma regular e que elas estão atuando “legitimamente”.

No entanto, não explica a nota, qual a experiência das “médicas” para serem nomeadas como gerentes de projetos e qual o critério para escolha das mesmas, além da preferência na fila de imunização, em detrimento dos verdadeiros profissionais que estão diariamente atuando nos hospitais e Serviços de Pronto Atendimento, expondo a riscos suas vidas e de seus familiares.   

Pessoas ainda morrem em Manaus por falta de oxigênio, mas por falta de vacina não morrerão mais as gêmeas recém-formadas em medicina Gabrielle Kirk Lins e Isabelle Kirk Lins. As duas são filhas de Nilton da Costa Lins Júnior, dono da Universidade Nilton Lins, uma das maiores da cidade. Gabrielle foi contratada pela Secretaria Municipal de Saúde a um dia da data da vacinação. Sua irmã dois dias antes do ato. Elas tomaram a CoronaVac antes de médicos e enfermeiros de hospitais que enfrentam a pandemia desde o seu início. Comemoraram a vacinação postando fotos no Instagram.

Agora foram definidos 11 níveis de prioridade para a 1ª remessa de vacinas enviadas. A partir de agora, as equipes serão vacinadas de acordo com o “nível de exposição e ambiente em que atuam” no atendimento a pacientes com covid19. A vacinação em Manaus está sendo investigada pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública da União por conta de denúncias de pessoas furando a fila na prioridade de vacinação.

Divulgação de lista é obrigatória

A Justiça Federal do Amazonas determinou no sábado (23), que a Prefeitura de Manaus informe todos os dias, até às 22h, a relação das pessoas vacinadas na cidade. A lista deve conter o nome, CPF e profissão das pessoas vacinadas até as 19h do o dia, além do local onde foi feita a aplicação. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 100.000.

A gestão municipal tem que levar a sério a situação calamitosa em que Manaus está envolvida. Não é possível aceitar que o Prefeito David Almeida se deixe levar por supostos pagamentos de dividas ou retribuição de favores aos “amigos”, deixando a população sofrendo perdas e principalmente os profissionais que arriscam suas vidas sem atendimento, enquanto favorece com nomeações absurdas, pessoas despreparadas para diversos cargos na administração municipal, inclusive, reciclando o que a sociedade trata por lixo político.

Há 14,9 milhões de pessoas que precisam ser vacinadas na primeira fase. Por ora, as doses disponíveis só conseguem imunizar pouco mais de 2,8 milhões de pessoas.

O Ministério Público de cada Estado apura se houve irregularidade nas condutas dos fura-fila. Em pelo menos duas cidades, Manaus e Tupã, no interior de São Paulo,  a vacinação foi suspensa.