sábado, 08 de maio de 2021
Saúde

Após pressão da imprensa séria, Prefeitura de Manaus exonera fura-filas

13 fevereiro 2021 - 23h24Por Silvio Rodrigues

O caso ganhou repercussão após as “médicas” postarem fotos da imunização nas redes sociais. A família das médicas é dona de hospitais e universidades particulares em Manaus, entre outros negócios. Além das duas, a lista de investigados traz, ainda, os nomes de outros oito médicos, dentre eles, o filho do suplente de deputado estadual Wanderley Dallas, David Louis Dallas.

Na época, em meio às polêmicas sobre a vacinação do grupo, o prefeito de Manaus, David Almeida, negou as irregularidades, disse que se tratava de fake news e chamou os investigados de heróis. A secretária de saúde de Manaus, Shádia Fraxe, justificou a contratação do grupo, alegando a falta de recursos humanos.

Todos se tornaram alvo de investigação porque estavam entre os primeiros vacinados contra a Covid-19 e tinham sido contratados havia poucos dias pelo gabinete da Prefeitura. Na época, o Ministério Público citou que a contratação deles foi “falsamente” para o cargo de gerente de projetos, o que levantou suspeita de falsidade ideológica.

Entre os nomes, estão das gêmeas Isabelle e Gabrielle Kirk Maddy Lins. As duas receberam a primeira dose da vacina no dia 19 de janeiro - mesmo dia em que uma delas foi contratada. A outra foi efetivada no cargo dia 18, um dia antes.

Os promotores chegaram a pedir a prisão do prefeito e da secretaria de saúde, por conta das irregularidades, além da exoneração dos citados. O pedido está sob análise da Justiça.

Em relação a esses dez “médicos”, o MPE apontou que: foram contratados “falsamente como gerente de projetos”, mas trabalhavam em unidades de saúde.  A nomeação foi intermediada pela médica Ilcilene de Paula da Silva, com a participação da secretária municipal de Saúde, Shadia Fraxe, e do assessor Djalma Pinheiro Pessoa Coelho. A nomeação para o cargo de gerente de projetos partiu do prefeito David Almeida;

O grupo era formado por pessoas com “ligações políticas e econômico-financeiras de apoio político e eleitoral ao atual prefeito”. As nomeações ocorreram em 18 e 19 de janeiro, quando as primeiras doses de vacina foram aplicadas em Manaus e no interior do Amazonas. Alguns dos “médicos” tinham feito o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) em período de 10 a 35 dias antes da contratação; o cargo criado no momento da contratação,  de gerente de projetos prevê o salário de R$ 9 mil.    Já a remuneração de médicos temporários da prefeitura é de R$ 6,9 mil.

Na quarta-feira (10), as gêmeas Lins e David Dallas receberam a segunda dose do imunizante. O Ministério Público Federal (MPF) informou que, a princípio, não há ilegalidade dos profissionais terem recebido a segunda dose, já que eles supostamente estariam atuando no atendimento a pacientes com Covid-19, ou seja; o discurso mudou de acordo com o curso.

 

Por meio de nota, a defesa das médicas afirma que elas optaram pelo pedido de exoneração do cargo. “A situação infelizmente ficou insustentável a partir do momento em que se passou a questionar a forma escolhida pela Prefeitura para a contratação dos mesmos, gerando um enorme mal-estar e comprometendo o ambiente de trabalho”, diz um trecho da nota.

Peculato aprovado pelo Governo do Estado?

Sobre a segunda dose da vacina, Gabrielle e Isabelle afirmam que são “médicas atuantes” na linha de frente do combate ao coronavírus e que foram notificadas através do Portal da Prefeitura para receber a segunda dose, tendo comparecido no local e horário pré-determinados pelo governo. Pelo Governo?

Aberrações na vacinação

Duas das exoneradas, as irmãs Isabelle e Gabrielle Kirk Maddy Lins receberam a primeira dose do imunizante no dia 19 de janeiro, quando haviam acabado de ser contratadas.   

Nesta sexta-feira (12), a Prefeitura de Manaus decretou a exoneração de sete dos profissionais de saúde citados pelo Ministério Público do Amazonas, em investigação sobre os “fura-filas” na campanha de vacinação contra Covid-19.

O caso veio à tona à medida que as duas filhas de Niltinho Lins Júnior, empresário grande da capital amazonense, registraram a vacinação nas redes sociais, antes de muitos profissionais da linha de frente do combate à Covid-19.

Após repercussão, o Tribunal de Contas do Amazonas solicitou ao governo do estado uma lista nominal de vacinados. Em nota, na ocasião, a prefeitura de Manaus negou irregularidades e afirmou que autorizou a vacinação das irmãs.

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