sábado, 08 de maio de 2021
Ciência&Tecnologia

Acelerador de partículas brasileiro SIRIUS entra em funcionamento e obtém primeiras imagens

Dois dias após a equipe de cientistas conseguir armazenar elétrons no acelerador principal, o SIRIUS obtém suas primeiras imagens de microtomografias de rochas

19 janeiro 2020 - 17h18Por Leandro Forte

No dia 14 de Dezembro de 2019, a equipe de cientistas do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais) conseguiu armazenar partículas de elétrons por algumas horas no acelerador principal do mais novo e mais avançado acelerador de luz sincrotron do mundo, construído no Brasil e localizado em Campinas.

Primeira imagem do acelerador SIRIUS

Dois dias depois, os cientistas conseguiram capturar as primeiras imagens de microtomografias de rochas usando raios-x, ainda com uma potência inferior a 13 mil vezes projetada para a máquina, como um teste para avaliar os sistemas do SIRIUS e realizar os ajustes necessários para obter imagens com melhor qualidade.

O SIRIUS é o segundo acelerador de elétrons de última geração construído no mundo. Ele produz uma radiação, ou luz sincrotron de alto fluxo e alto brilho e tem como objetivo a investigação da composição e estrutura dos mais diversos tipos de materiais. A luz síncrotron é capaz de penetrar a matéria e revelar características de sua estrutura molecular e atômica. Grande parte das industrias já utilizam o sincrotron para desenvolver novo produtos ou para melhorar a eficiência e baratear o custo dos produtos que já existem. Pode ser aplicado em uma variada gama de indústrias, desde produtos alimentícios, peças de automóveis e de computadores e até fraudas.

O acelerador foi projetado e construído com tecnologia e mão-de-obra nacional. Este tipo de tecnologia põe o Brasil na vanguarda da ciência de partículas, abrindo portas para diversos países utilizarem destes recursos, tanto para estudos científicos, quanto para aplicações práticas do dia-a-dia das industrias. Esse é só um exemplo do que nosso país é capaz de fazer se os recursos forem investidos na pesquisa científica. Parabéns aos nossos cientistas do LNLS e do CNPEM.